foto: FB

Hoje voltei a ter uma sensação que já ficou comum toda vez que aparece na tela do meu celular uma lembrança que os algoritmos me apresentam. É uma vontade de voltar a viver no tempo da tal memória.

“Priscilla, esta foto há exatamente quatro anos atrás foi a que mais recebeu reações de “amei” naquele ano.”, acabo de ler. Também, éramos três apaixonados na imagem. Eu e as crianças agarradinhas no maior deleite, pelo dia das mães. Por que não coloquei num porta retrato?, me pergunto.

O tempo passa e essa fofice dos filhos pequeninos vai-se embora. Os registros mudam.

Mas não é só isso…

As mensagens com as lembranças do passado se tornaram também uma espécie de presente nesse tempo tão desafiador de perdas e vazios.

Além disso, às vezes, a gente se depara com uma memória num dia em que não está tão bem quanto estava na hora em que compartilhou aquela foto de felicidade anos atrás… E a memória recortada não te permite lembrar das dificuldades do passado. Só voltam as boas lembranças.

Mas eu também mudei. As publicações com as boas imagens de família doriana, como as das lembranças, ficaram pra traz porque há alguns anos deixei de usar as redes sociais pra compartilhar momentos pessoais de felicidade. Ainda faço, claro. Mais no perfil fechado, só que raramente. E eu sei os porquês.

Primeiro, porque há uns três anos deixei de usar as  redes sociais como um espaço pra ver e compartilhar histórias entre amigos e conhecidos próximos. Passei a usá-las muito mais como espaço alternativo pra escrever, fazer vídeos, dar vazão à criatividade. Aí, nesse processo de usá-las para o trabalho autoral, eu também passei a consumir “conteúdo.” Em pouco tempo, praticamente sumi do espaço privado virtual – só entre amigos. E percebi que, no espaço público das redes, muitas vezes, eu mesma me sentia mal. Será que alguém mais já teve ou tem esse sintoma, nem que seja só de vez em quando?

 

Em análise, descobri que ver constantemente a vida “perfeita” dos outros, as realizações, o sucesso, as metas alcançadas, o corpo sarado, o cabelo bem cuidado, a beleza, as viagens, looks e refeições incríveis, estava me fazendo mal. Justo eu, analisada, privilegiada, abençoada, que sempre soube dar valor pra tudo e que, até tempos atrás, nem conseguia pedir nada pra Deus de tanta gratidão pela saúde e pela família, e que sempre fui resiliente e soube me reivintar?

Se até eu me sentia mal, imagina quem não tem esse filtro? Imagina quem está sofrendo de verdade?!

Sempre imaginei. É cruel. Aí, deixei de usar o espaço público pra compartilhar coisas que talvez não acrescentem aos outros. Ou que possam gerar mal estar. E parei de consumir o que me faz mal.

Ainda que isso vá contra a maré, porque no mundo dos algoritmos (e muito também da superficialidade), quanto mais “perfeito”, mais curtidas dá. E mais você segue. (É um desafio ensinar as crianças a não se perderem nesse mundo.)

 

Só que, às vezes, também me pego pensando que seria ótimo fazer das redes um álbum lindo porque os algoritmos são muito melhores do que eu pra acessar e lembrar detalhes de um tempo que já passou. Nem foto eu revelo mais!

Falta tempo. Sempre falta.

Aí, quando você vê, mesmo sem tempo, já deu um pulo no FB, revisitou uma memória e já tá com vontade de entrar pra dentro daquele tempo onde as crianças eram menores e tudo na vida parecia sereno, leve, divertido, gostoso, feliz, sem problemas.

Peraí, pensando bem, “sem problemas” é mais uma ilusão.
E de lá pra cá, evolui, cresci (mais na fé) e isso é ótimo.

 

Mas que é bom ficar nas memórias do Facebook e curtir a saudade daquilo que você vê na imagem, ah, isso é. Pra quem tem uma relação de amor e ódio (ódio é muito forte, não odeio nada. Aliás, só baba de jiló) com as redes, melhor curtir o amor sempre que ele tá disponível assim, “facim facim”. Bem minêrim.

 

Vem pro @eupriscilladepaula, que já foi @maesemreceita no Instagram. Vem, gente!