“Quer disputar queda de braço comigo?”, meu filho de nove anos (um mini atleta) propôs à irmã, de cinco, ainda na cozinha, pouco depois do jantar um dia desses. Nem me lembro o que estava em jogo. Se não fosse à noite e eu não soubesse que vira e mexe uma brincadeira desse tipo dá em confusão, teria deixado a história ir adiante. Afinal, ter irmãos é um treino pra vida. Mas preferi impedir, por mais corajosa que a Gabi seja.

 

Coragem é um negócio que parece que a gente já nasce predisposto a ter. Ou não!? Se você não é lá dos mais corajosos, o caminho é bem mais difícil, com certeza. Afinal, se a vida é para os fortes, é para os corajosos também.

 

Quando a gente tem filhos, a gente se empenha para estimular esse sentimento. Principalmente quando a criança não demostra ser “corajosa”, digamos. Ainda que na infância possa ser arriscado também, eu sempre achei que ter coragem é muito bom. E, se o traço está na origem, é muito mais fácil resgatá-lo com o passar do tempo, nos desafios da vida.

 

É, porque, por mais corajoso que a gente seja, quando cresce, a gente se transforma e acaba perdendo um pouco daquela coragem destemida que nos faz (fez) seguir, se arriscar… E conseguir.

 

Bom, independentemente da trajetória, coragem é aquilo que a gente nunca quer perder. Nem pode. Na maturidade, ela é o que nos permite enfrentar medos e receios. E nos permite ser quem somos, como somos. Ou, então, é a coragem que nos dá o impulso para chegar lá.

 

Melhor ainda é quando a coragem é competente. Como diz o professor, autor e filósofo Mario Sergio Cortella no novo livro “A sorte segue a coragem!”, decisões baseadas nisso têm nitidez dos motivos, se fazem com autoconhecimento e com planejamento. E dá um prazer danado também, né?!

 

Ele explica que a coragem competente é fruto do autoconhecimento. Ela nos dá potência,  vitalidade, energia e competência no exercício da própria existência. É ela que também nos permite romper com a penitência, segundo Cortella. Faz todo o sentido pra mim. Afinal, é preciso ter coragem pra encarar ou para romper com as quedas de braço que a gente se impõe, com as que topa lutar e com as que a vida apresenta, sem pedir licença.

 

A coragem competente nos permite avaliar e escolher. Que prazer!

 “Viver em paz é viver com a certeza de que não se está desperdiçando a existência.” (CORTELLA, 2018, pg 188)

 

* O vídeo de hoje é mais um testemunho. Porque, depois de meses tomando coragem para sair do emprego e por fim àquela agonia, eu encontrei o livro. Tá curtinho, assista.

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