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Lugar de gente criativa. De gente bacana. E de gente estranha. Tem gente maluca e quem só se faz de maluquinha. Gente do bem, do mal… Gente esclarecida. E tem gente tosca. Infelizmente. Também tem gente que mente. E tem quem fale a verdade, ainda bem. Tem fato e fake. Aos montes. Tem quem só queira causar. Ou quem queira esnobar. Tem muita gente que só pensa em si. Mas tem também milhares que querem contribuir. Tem gente de cabeça boa. E muita gente doente. Ah, se tem.

 

“O que pode nos salvar no mar de algorítmo é fortalecer quem você é de verdade. Só sobrevive quem é forte. Quem se conhece.”

 

A frase, dita num palco quase no fim de uma maratona de palestras no maior encontro de criadores de conteúdo e influência do país, o YouPix SUMMIT, que aconteceu em SP esta semana, diz muito sobre quem está nas redes e tenta se manter produtivo num universo onde milhões ganharam voz, mas poucos são ouvidos como gostariam. Muitos plantam, poucos já colhem. Muitos sonham, poucos chegam lá. A autora da frase é a jornalista e consultora em saúde mental Flávia Lippi.

 

Aliás, saúde mental foi o tema do encontro. Assunto super necessário. Até para quem não produz conteúdo, mas passa boa parte da vida online. Um estudo publicado pela revista Lancet no fim do ano passado aponta que uma epidemia de distúrbios da saúde mental se alastra, provocando prejuízos exorbitantes no mundo todo. O diagnóstico feito por uma comissão de 28 cientistas revela que casos de ansiedade e depressão aumentaram dramaticamente. As redes sociais fazem parte dessa realidade de adoecimento coletivo.

 

A praça pública do século 21 são as redes. Tem de tudo por lá. Mas esse universo que te dá as boas vindas e te permite criar o que quer, dizer o que quer e quando quer não é só liberdade. Tem um lado sombrio. Aquele que leva milhares de pessoas – produtoras ou não de conteúdo – a se compararem com vidas, corpos e relacionamentos “perfeitos”. E, como consequência, só se sentem piores. Tem ainda o risco de sofrer ataques de pessoas que se aproveitam do anonimato e do distanciamento virtual para humilhar e causar sofrimento.

 

“Eu já estava acostumada a enfrentar críticas desde a adolescência. Quando entrei na internet, já velha, achava que estava preparada para lidar com os haters porque sofri muito quando era jovem. Até ser surpreendida com ataques de quem eu acreditava serem amigos. Naquele momento, mexeu comigo!”, declarou Maira Medeiros do canal Nunca Te Pedi Nada, com quase 1 milhão e 700 mil inscritos, no painel sobre transparência nas redes.

 

Ao todo, cinco pessoas dividiam o mesmo palco. Pedro Tourinho, publicitário, RP e autor do novo “Eu, eu mesmo e minha selfie” estava lá. “As redes sociais foram criadas pra que as pessoas queiram compartilhar mais. O algoritmo está preparado pra botar mais likes pra quem tem o padrão do algoritmo. Rosto bonito, por exemplo. Tem a ver com o que a plataforma quer pra gerar mais lucro. É preciso saber como funciona.”

 

A gente acha que sabe, mas se não tomar muito cuidado se perde. Fora a ilusão de que se pode vencer os algoritmos. Diante da realidade, muitos desistem. Outros, adoecem. Como se manter são, então?

 

“A questão é se preparar pra ser”, sentencia Flavia lippi. A saída é buscar um caminho único para se proteger e para se fortalecer. Não só nas redes, mas também na vida. Melhor do que confiar na opinião de quem se diz autoridade em determinados assuntos pra vender fórmulas milagrosas – seja para educar filhos, seja para melhorar a autoestima, a saúde, o corpo ou a mente, é buscar ajuda profissional. O quanto antes.

 

Pra quem ainda fez isso, tem uma dica que vale ouro e evita efeitos que podem ser trágicos: “Você deve assumir as suas fragilidades. Mas não conte pro planeta o que você não deve.” Rede social pode ter de tudo. Mas, definitivamente, não é divã para adulto. E nem lugar de criança, sem supervisão.

 

*Vem pro @maesemreceita no Instagram. Vem, gente!