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Lama e coco na calçada de casa ninguém quer. Né? Mas o que tem de gente que sai por aí com cachorro e não recolhe a sujeira que cai na rua, em praças ou em canteiros do país a fora não tá no gibi. A lógica é assim: cada um cuidando só do que é seu. Cada um preocupado só com o seu. Faz mal não…

 

Nessa volta às aulas, saí da primeira reunião de pais da escola da minha filha de 6 anos, admirada. Durante o encontro, uma mãe perguntou:

– Precisa etiquetar todos os materiais? (como a gente faz todo ano)

Eu já estava preocupada por não ter feito ainda, mas a professora nos surpreendeu:

 

– A escola tem pensado muito sobre isso e valorizado os materiais que vem sem nome, porque as pessoas têm o hábito de pensar que o coletivo não é de ninguém. Quando, na verdade, o coletivo é de todo mundo!”

 

Prestou atenção? Essa frase é pra pregar na parede! Você já tinha parado pra pensar nisso? Já se deu conta do quanto as escolas estão a anos luz a frente de muitos de nós? Já reparou o tanto que podemos e devemos aprender com as crianças? Com as escolas? O tanto que pequenas coisas dizem muito sobre valores?

 

Agora, pega essa noção de cidadania e de responsabilidade, nesse exemplo “pequenininho”, acelera o tempo e a gente chega à tragédia anunciada de Brumadinho. Como é que pessoas que deveriam ter a responsabilidade de zelar por vidas permitem que milhares continuem no entorno de áreas perigosíssimas? Dão laudos de segurança quando, na verdade, há risco? Três milhões e meio de brasileiros vivem em cidades com barragens de risco, segundo um relatório da Agência Nacional de Águas que a gente acaba de conhecer.

 

Como é que autoridades atestam a segurança ou permitem que barragens, pontes, boates, pistas de aeroportos, parque de diversões e até brinquedo em buffet infantil funcionem sabendo que não está tudo bem? Como? Será por pura ganância? Ou só por irresponsabilidade mesmo?

 

Se as crianças aprendem na escola e dentro de casa a zelar pelo que é de todos, como esses valores se perdem? Por que desaparecem?

 

A cada história trágica, a gente se sente impotente. E descobre que pessoas em quem confiamos a vida não agem como deveriam. Se além disso, o país não é capaz de punir os responsáveis por tantas tragédias, se o que é ensinado nas escolas não tem valor, se o que importa é apenas ter a própria calçada limpa, os bens pessoais bem cuidados e a própria vida segura, nós nunca seremos melhores. Nunca. E o pior: a próxima vítima pode ser qualquer um de nós.

Deus nos acuda!

*Hoje tem vídeo novo no canal: Pedra no meio do caminho. Mas o #paposemreceita do Instagram tem mais a ver com o texto.

Vem pro @maesemreceita. Vem, gente!