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Passei anos, muitos anos mesmo, certa de que a época da minha pré-adolescência foi a melhor pra ser adolescente no mundo. Eu tinha até uma certa pena das pessoas que não foram pré ou adolescentes na mesma época que eu. Era como se elas tivessem perdido o que houve de melhor pra essa fase da vida.

Ilusão, claro. Mas só descobri há pouco.

Será que alguém pensa ou já pensou assim?

 

Quase trinta anos se passaram e, de repente, meu filho virou pré-adolescente.

Também foi de repente que chegou o convite pra primeira balada dançante da vida dele no começo desse pós-pandemia (graças a Deus temos vacinação avançada!).

Deixei Rafael feliz na festa na última sexta-feira com três amigos e embarquei no passado.

 

Fui tomada por uma saudade absoluta daquele tempo feliz das minhas primeiras festinhas, de começar a sentir cheiro de perfume gostoso (quem se lembra do Polo?) e de dançar leve ao som de Pet Shop Boys, Erasure, New Order, minhas bandas preferidas nas festas da pré-adolescência.

Saudosa, botei pra tocar algumas músicas no Spotify enquanto escrevia os primeiros rascunhos dessa memória e entrei no túnel do tempo.

Parece que foi ontem!

 

Enquanto isso, as mensagens de mães no grupo da festa – Niver do Cauã – se intensificavam…

Vanessa: Manda fotos, Janaína! Curiosa aqui! Hehe.. queria ver a baladinha..

Carol: @⁨Janaina⁩ KD foto???? Videosssss

Janaína, a mãe do aniversariante, surpreende ao mandar um vídeo dos meninos e meninas brincando na quadra do clube em vez de estarem na pista de dança e diz: “Nós estamos pensando em invadir a pista… o DJ tocando sozinho kkkk vamos invadir …kkk”

Priscilla, eu: Não posso crer! E eu aqui achando que eles iam dançar muito, feito nós dançamos (ou será que nem todas nós?) nas nossas festinhas de adolescência!

Gabriela: Era MUITO bom!!

Carol (de novo): Música lenta com a vassoura trocando de casal kkk

Acydalia: Toma a bola. Kkkk. Coloca Na pista de dança essa bola (a da quadra)

Carol, Gabriela e Acydalia, as mais ativas (que não conheço pessoalmente) continuam a escrever:

Acydalia: Ahh tempo bom

Gabriela: Nossa…

Carol: Não era?

Acydalia: Demaissss

Cris: Passou um filme na cabeça. Festa americana. Cada um levava um comes e a vassoura na pista.

Nunca vi a tal vassoura nas festas da minha adolescência em BH. Será que era coisa do Rio de Janeiro?

Carol manda áudio lembrando de quando os meninos convidavam pra dançar e a gente dizia que não queria dançar só porque não era o menino de quem gostávamos. “Aí, esse ia embora todo arrasado, coitado”, lembrou. “Mas quando vinha o menino de quem a gente gostava, a gente topava na hora. Era difícil para os meninos.”

Era difícil para as meninas também que tinham vontade de convidar mas, naquele tempo, achavam que não podiam.

 

Com tantas lembranças, óbvio que me lembrei do frio na barriga que senti quando dei meu primeiro beijo, numa festa no Iate Clube, na beirada da lagoa da Pampulha. Nú!, como diria uma boa mineira. Parecia que o coração ia sair pela boca. Quem mais?

Eu tinha 13 anos. Era um pouquinho mais velha que meu filho hoje.

Pois, levei todo esse tempo pra entender que não importa a época. Quando se tem saúde, cuidado e oportunidade, a pré-adolescência é gostosa em qualquer geração. Talvez seja melhor em algumas cidades.

 

E, pensando bem, a saudade que a gente sente não é só do tempo, da época. É do tudo novo. Das novas possibilidades e das novas emoções que a pré-adolescência nos apresenta. E, melhor ainda: de sentir que a vida – quando é boa – está só começando.

Quem diria, outro dia éramos nós na pista. Agora, nós somos as mães.

Jovenzinhas, ainda. Né, não?!

O tempo voa!

Que Deus nos abençoe e abençoe os nossos filhos!

 

*Vem pro @eupriscilladepaula que já foi Mãe Sem Receita no Instagram. Vem, gente!