foto: Pixabay

 

Quem achava que a pandemia ia mudar tudo – de hábitos a valores humanos e sociais, agora, já deve estar percebendo que, na verdade, o isolamento parece que só deixou a gente na saudade, além de sobrecarregados. Coletivamente, pouco mudamos.

 

O feriado de Sete de Setembro foi uma demonstração de que as coisas estão voltando a se parecer como antes, independentemente do vírus. É que o novo coronavírus continua matando gente a rodo – cê tá sabendo, né?! – mas tá quase todo mundo flexibilizando geral.

 

Eu, que tive COVID-19 em abril, andei bastante preocupada mesmo depois de me curar e passei um tempo sem sair de casa, exceto pra trabalhar e fazer mercado. A consciência e a responsabilidade social não me deixavam ignorar as regras. Aí, comecei a reparar – isso já faz um tempo – que a vizinhança aqui no Rio estava liberando geral. Os jornais não me deixam mentir! E eu, que já tinha até anticorpos e não corria mais o risco de pegar, de contaminar outras pessoas neste momento e nem de pressionar o sistema de saúde, estava com a família dentro de casa?! Aos poucos, fui relaxando.

 

E aí, chegou o feriado. Pensei: imunes, vamos aproveitar pra matar um pouco da saudade! Detalhe: nunca imaginei que ao chegar na marginal Tietê, em São Paulo, a gente ia ficar com coração palpitando como se tivesse vendo a Torre Eiffel acesa. Mas o mais impactante pra mim, ouvi da minha filha, paulistana, sentada no banco de trás: “Mamãe, até chorei de felicidade!” Essa menina sofreu nesses meses sem escola e sem se encontrar com amigos. Meu filho de 11 também não cabia em si.

 

Pois, o feriado foi de reencontros. Alguns amigos, abraçamos. Resistentes, meio constrangidos, é verdade. Mas, com IgG positivos, nos demos ao luxo. Teve criança colada em criança, sem máscara, e até dormindo na casa de amigos. Falei disso até em análise.

 

Não fomos os únicos a fazer isso, obviamente. A parte da família que mora em São Paulo, por exemplo, viajou para encontrar a outra parte, em BH. Entre elas, meu avô de 91, que há meses não vê quase ninguém e custou a entender quatro meses atrás que ele também só deveria sair de máscara, mesmo sendo filho de Deus. Ou seja, no feriado, teve aglomeração de família por lá também.

 

Passados quase seis meses de pandemia, está cada dia mais difícil resistir no isolamento. Tá quase tudo flexibilizado, tem a saudade que dói no peito e já tem muita gente pirando…

 

Como diz a minha mãe, que está há mais de cinco meses em casa, pagando o salário da funcionária que não foi trabalhar nem um dia nesse período: “Chegou num ponto que se eu não tiver uma ajuda no serviço doméstico a partir de agora, enquanto dou aulas on-line, vou enlouquecer!”

Eu entendo demais a minha mãe. E sei que poucos agiram como ela.

 

Exaustão, imunidade, falta de consciência, de responsabilidade ou só de noção mesmo… Quer saber? Não julgo mais! No salve-se quem puder em que estamos, se não for uma proibição coletiva, no que depender só do cidadão, a pandemia já acabou no Brasil. E não é de hoje. Como diz um colega de trabalho: “Lá no Complexo (do Alemão), não pega isso (o vírus) não!” Ele mesmo pegou depois.

E assim, seguimos, voltando ao nosso velho anormal. E pedindo pra Deus, incansável, olhar por nós.

Ah, já sei que vai dar vontade de chorar de felicidade também quando tiver a vacina e quando as crianças voltarem pra escola. Aí sim vai ser lindo!

 

*Vem pro @prisemreceita no Instagram. Vem, gente!

https://www.instagram.com/prisemreceita