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Lá vou eu entrar em polêmica, de novo. Logo numa que, até recentemente, defendi posição contrária. Mas tenho novos motivos.

Peraí. Antes de qualquer coisa, vale dizer que não conheço ninguém que não esteja exausto da vida na pandemia. Estamos todos! E olha que brasileiro está “cansado disso tudo” frequentando praia, shopping, vendo amigos, fazendo churrasco, curtindo feriado de Carnaval, saindo pra restaurante, fazendo pequenas viagens e um tanto de outras “cositas más” que só pode aqui no Brasil. Justo aqui, onde mais de 270.000 pessoas já perderam a vida. E, lamentavelmente, ainda contando…


Aliás, tá cheio de gente dizendo que “ninguém aguenta mais”. Mas quantas pessoas você conhece que cumpriram as medidas restritivas e as orientações de distanciamento social com rigor? Pessoalmente, 
consigo contar nos dedos de uma mão: minha mãe, psicanalista e professora universitária; meu irmão, de 24 anos; meu padastro, professor e técnico; além da mãe e a irmã dele, aposentadas. Só. E somente só. Todo o resto saiu do isolamento há tempos. Se aglomerou, nem que tenha sido só um pouquinho e pequenininho no Natal.
De aglomeração em aglomeração, deu no que deu!

#Quarentena virou só o modo de dizer, pra marcar esse tempo em que a máscara virou obrigatória e em que a vida ainda não voltou totalmente ao normal. Ainda assim, tem quem despreze a proteção individual. “Focinheira”, já ouvi gente revoltada dizer por aí.

 

Pois, bem. Já passamos de um ano da pandemia e a maratona não termina. Ainda mais com as novas variantes do vírus, que fazem o número de mortos saltar pra até 2349 vidas perdidas em apenas 24 horas! Os leitos de hospitais, até dos particulares, já não são suficientes nem para atender rico que desdenha da COVID porque tem plano de saúde. Até o Sírio Libanês, em SP, teve de rejeitar paciente nos últimos dias. Foram mais de 30 recusas. Não há leitos! A velocidade de transmissão do vírus é impiedosa!


E mesmo diante disso, outro dia tinha um tanto de família da elite financeira planejando fazer buzinaço na porta do diretor da escola onde os meus filhos estudavam, em SP. Só porque estavam indignados com a instituição que decidiu fechar totalmente as portas nessas semanas mais críticas da doença.
Tente nomear a falta de noção. Agora, tente imaginar os italianos fazendo isso quando parte da população estava sendo dizimada.


Até quem defendia e defende a reabertura das escolas como prioridade – 
públicas, principalmente, onde o abismo da desigualdade está se intensificando, sabe que a situação mudou. Estamos diante de um momento em que não temos escolha.

 

“O que a senhora tem a dizer para quem está exausto, não aguenta mais tantas limitações e diz que precisa retomar a vida?”, perguntei em entrevista numa gravação para a RecordTV Rio para a infectologista Cristiana Meirelles.

 “Infelizmente, não é uma opção. Usar máscara e não aglomerar é uma necessidade. Se você tem amor próprio e amor ao próximo, é fundamental! Pelo menos, enquanto nós não tivermos vacinação suficiente para 60% da população.”

 

Faltam vacinas. Aqui no Rio mesmo, a prefeitura teve de suspender o calendário de vacinação pela segunda vez porque não há mais doses. Só há doses pra o reforço. Até quando, não sabemos.


É duro, mas se depender só da nossa consciência coletiva, nunca vamos superar a pandemia. As pessoas não pensam no todo, pensam em si. E eu me incluo nisso, em muitos momentos.

 

Se tem restaurante aberto, você vai. Se tem shopping aberto e você precisa de alguma coisa, você vai também. Um ponto turístico aberto que quer levar os filhos pra conhecer há muito tempo e não conseguiu? Você vai. Se tem escolinha de futebol pra crianças que passaram muito tempo dentro casa, você matricula. Se a escola normal abre as portas, você manda. Se tem a opção híbrida, você escolhe. Depois de tantos meses sem fazer o que gostaria, se está aberto, você vai. Se não é proibido, você faz. E tem quem faça até o que não pode, o que é pior. Aqui perto de casa mesmo tem uma espécie de pagode informal na frente de um bar classe média. As pessoas ficam de pé, sem máscara. Disque denúncia nunca resolveu. Até eu já tentei denunciar e não consegui.

 

Por isso, precisamos que as autoridades façam o que mandam os especialistas! Ainda que a gente lamente, que tenha algum tipo de prejuízo. São elas que precisam olhar para o todo e cuidar da saúde da população! A responsabilidade individual e a consciência coletiva não estão funcionando!

 

Não dá pra deixar o coronavírus continuar a dilacerar famílias. Tem de fechar. Até escola.
Eu lamento, mas defendo porque tenho a consciência de que é para o bem de todos.

 

Aliás, pra terminar, lembrei agora que, quando era pequena, ouvia muito a minha mãe dizer: “Não tem que querer, tem que fazer!”. Hoje, com a psicologia positiva, talvez, a abordagem sugerida fosse outra. Algo mais na linha do: “Você não gosta? Por quê? Ah, entendo. Realmente, não é legal. Mas é importante pra sua vida e para a de todos!”

A vida vale mais!

 

 

Aproveito pra te convidar a copiar o link abaixo pra assistir a reportagem que fiz, emocionante, com profissionais de saúde que estão há 1 ano no front.

E vem pro @prisemreceita, no Instagram. Vem, gente!

https://recordtv.r7.com/balanco-geral-rj/videos/covid-19-profissionais-de-saude-relatam-rotina-de-medo-e-cansaco-11032021