Tatá Werneck Foto: Instagram / @tatawerneck

 

Nada como o bom humor para expressar com liberdade e clareza, sem risco de preconceito, o que tanta gente sente, mas não consegue dizer. Talvez, por receio. Afinal, toda verdade pode ser cercada de jugalmentos.

 

“Tava com tanto medo que pensei em fugir do hospital durante a noite. Mas escalar prédios grávida é muito difícil, ainda mais pra quem já não escalava sem estar grávida.”, declarou a humorista, apresentadora e atriz Tatá Werneck, horas depois do nascimento da filha.

 

O parto virou notícia, claro. Eu achei incrível o jeito que ela encontrou para descrever os medos que muitas mulheres sentem quando chega a hora H. Medo da dor, medo da anestesia, do parto normal ou da cirurgia, medo do bebê ter algum tipo de problema, medo da responsabilidade, medo de não dar conta… A lista é enorme. Recebi relatos valiosos, pelo Instagram, que revelam a complexidade desse momento na vida da mulher.

 

“Quando me falaram que o médico tinha chegado, comecei a chorar!”, relembra Melina Fernandes, carioca. “Eu não queria nem ir, fui chorando. Medo de tudo.”, revela Tatiane Vilhena, mineira de Ouro Fino. “Eu tive muito medo. Quando a dor pegou, quase morri…”, conta Georgia Borges, de BH. São muitas histórias.

 

“Eu posso dizer que fugi.”, confessa Renata Serapião, de São José dos Campos, SP. Ela estava grávida de 40 semanas e 2 dias, quando foi ao hospital para ver se estava tudo bem. Ao chegar, ouviu que iam fazer uma cesárea. Com medo, mentiu que não estava de jejum. Conseguiu escapar! Só que dois dias depois, não deu mais para fugir.

 

E tem os casos de violência obstétrica que, para quem não entende ou não está nem aí, pode parecer frescura. Prepare-se…

“Choro sem parar por horas, de medo. Ah, e o médico? Conseguiu me oferecer a seguinte pérola: Entrou, uma hora tinha que sair!”, revela uma psicóloga que prefere não ser identificada. Ela continua: “Me maltrataram muito. Foi doloroso, mas também libertador legitimar minhas sensações e, de uma vez por todas, dar os justos nomes para tantas situações dramáticas que atravessaram um momento que merecia o justo acolhimento.”

 

Permitir-se sentir é mesmo libertador. Eu também tive medo e nunca escondi. Tive medo da cesárea e pela saúde do bebê, que nasceu um pouco prematuro. Fora a tristeza de não ter meus pais por perto. Fui fazer um doppler – um exame importante para avaliar a circulação dos vasos sanguíneos e o fluxo de sangue, e o médico identificou que a placenta estava quase sem líquido. O bebê poderia entrar em sofrimento. Então, meu filho, que era pra 07 de março, nasceu na madrugada de 11 de fevereiro, dez anos atrás. Apesar dos pesares, deu tudo certo, graças a Deus.

 

Mas o medo das mulheres não se resume apenas à hora do parto. “Fiquei com medo porque eu achava o mundo um lugar ruim demais. Tanto que ele nasceu e eu não queria que ninguém segurasse. Acredita?!”, pondera Lucimar Domingos Pirama, do Rio de Janeiro. Não só acredito, como compreendo, afinal, todo sentimento é legítimo.

 

Mas parte da sociedade espera que a mulher engula suas angústias. Tem muita gente que ainda romantiza a gravidez, o parto e o puerpério. O relato da Helena Lima, de Porto Alegre, nos ajuda a pensar um pouco sobre as apreensões de muitas mulheres, depois que os filhos nascem. “Quando o médico mostrou o bebê, pensei: agora é pra valer! Fiquei chocada ali”.

 

O fato é: depois do hospital, tem uma vida real intensa que te espera com muitas questões e desafios. E elas não passam apenas pela relação da mãe com o bebê, mas também pelas condições sociais, de saúde e com a rede de apoio que cerca a mãe dessa criança que acaba de chegar ao mundo. Milhões de mulheres não têm amparo, nem estrutura – de todo tipo.

 

Boa parte consegue superar as dificuldades, porque o amor é grandioso. Nos transforma. Mas há quem não consiga. Precisamos reconhecer isso! Que a gente saiba, então, ouvir com profundidade, respeitar e acolher os desejos e as verdades de cada mulher, sem preconceito.

 

Que tal mais uma pitada de humor? “Na hora do parto não quis fugir não. Mas em 10 anos de maternidade… já quis muitas vezes”. conclui Ana Elisa Angelotto, de Uberlândia. Ri e amei. #TamoJuntas, amiga. Ou, então, que tal um #TamoJuntasTatá ? Porque a gente se entende nas dores e nas delícias. E viva a coragem das mulheres, que estão sempre enfrentando seus medos no peito e na raça. Fica mais fácil superar com ajuda psicológica profissional e fé.

 

Vem pro @maesemreceita no Instagram. Vem, gente.

Aqui, o #paposemreceita motivado pelo relato da Tatá.