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Eu faço parte do grupo de brasileiros que não cantava o hino nacional na rotina escolar. E olha que estudei numa escola particular da elite de Belo Horizonte, nas décadas de 1980, 90. Mesmo assim, posso afirmar: meu patriotismo nunca foi abalado. Sempre defendi o Brasil e exerço ativamente a minha cidadania com moral e ética. Essa disciplina tinha na escola e valia muito.

 

O problema é que, com ou sem hino, nos últimos tempos, a gente tem passado por momentos em que não sabe nem no que pensar. Feito quando não sabe o que fazer diante de um desafio com os filhos.

 

Passado o furacão da disputa eleitoral e famílias “recuperadas”, suponho que passamos todos a torcer. Afinal, não somos homens-bomba. Se der errado, estaremos todos ainda mais ferrados. Mas as notícias são atordoantes. Tanto pra turma do “#agora vai, graças a Deus!” quanto pra do “vai piorar”.

 

Seria fácil se tudo se resumisse a cantar o hino. Mas o problema, nesse caso, é ministro da educação querer que as escolas – muitas sem estrutura, com falta de professor e até com pombo na merenda – gravem vídeos dos alunos cantando. De tão brilhante, a ideia já foi cancelada. Mas ficou uma dúvida: qual seria mesmo a utilidade de gravar?

 

Fato: falta estrutura pra receber todos esses vídeos enviados – sabe-se lá como – para Brasília. Mas isso não é nada. Sério mesmo é colocar o slogan da campanha do presidente no comunicado. Você é cristão, como eu, e não se incomodou? Então, pense nessa hipótese, que vi nas redes sociais: o país elege no futuro um presidente umbandista e o ministro vai lá e obriga os nossos filhos (cristãos ou judeus) a dizerem: “Oxum acima de todos!”

O ministro admitiu o erro. Dizer e desdizer até já deixou de ser uma questão. Grave é achar que estado laico é que é problema.

 

Isso sem contar o novo (velho) esquema das candidaturas laranjas. Depois que vira bagaço, nem criança quer. Já percebeu, né? O que dizer, então, do ministro suspeito de patrocinar o tal esquema em Minas tentar censurar jornal? Bem mais fácil responder pergunta capciosa de filho…

 

Tá achando que acabou? O negócio tá feito bronca. Não termina nunca. Esta semana, enquanto tinha gente madrugando pra dar de mamar, deputados federais (que acabaram de começar o mandato) batiam ponto às 6h da manhã. Dedicação exemplar, você pode pensar. Só que não. Era para correr para o aeroporto em plena quarta-feira, a três dias do sábado de Carnaval. Assim: bate o ponto, garante que não vai ter desconto do salário que passa dos 33 mil reais e vaza. À lá The Flash.

 

Mas isso não é nada. Eu é que estou vendo pelo em ovo. O problema do Brasil são os aposentados, claro. Idoso, pobre, que ganha um salário mínimo por mês. Esses sim oneram a previdência que, se não for reformada, quebra. Fato. Aí, vem um grupo de gênios e propõe: se o salário deles for cortado para 400 reais, estaremos no caminho. Vai vendo…

 

O negócio parece que não acaba mais. A última foi essa: O ministro Sérgio Moro, que abandonou a Lava Jato com a promessa de ter carta branca no governo teve de revogar a nomeação de uma voluntária renomada porque “não conseguiu sustentar a nomeação… diante da repercussão negativa em alguns segmentos”. Nem sei mais o que dizer. Felizmente, Ilana Szavó, mestre em estudos de conflito e paz pela Universidade de Uppsala, na Suécia, e cofundadora e diretora-executiva do Instituto Igarapé, já destituída do cargo voluntário, sabe: “Quem ganha é a polarização. Perde a pluralidade e o debate de ideias, tão fundamentais numa democracia”.

 

Eu poderia fazer um esforço  para falar só de educação, maternidade, paternidade… Mas essas coisas têm ocupado os nossos dias. E, pra muitos de nós, atrapalhado a perspectiva de um futuro melhor, tanto pra nós quanto para os nossos filhos. A verdade é que, diante de tudo, dá aquela sensação que criança tem quando ouve: “Na volta a gente compra”.

Nunca acontece. E a nossa impotência se estende… Ah, se o problema fosse só cantar o hino.

 

*Convido você a vir pro @maesemreceita no Instagram. Tem de tudo: valores humanistas, educação e senso crítico de montão. Sem grosseria, claro.