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O Dia Internacional da Mulher existe para reconhecer e exaltar a força das mulheres, historicamente. De uns tempos pra cá, a data tem servido mais pra reivindicar a igualdade de gênero. Isso nos aproxima da origem da luta feminina no século passado, que motivou a criação da data pela ONU, em 1975.

 

Mulher, mesmo com doçura, sempre foi símbolo de luta. Desde o parto. Somos também exemplo de determinação, esperança, colo e fé. No entanto, aqui no Brasil, a vida das mulheres parece que está valendo menos.

 

Um levantamento feito pelo advogado Jefferson Nascimento,  pesquisador da USP, compilado e divulgado hoje pela Folha, aponta que, só em janeiro, 179 casos de feminicídio ou de tentativa foram noticiados, em 25 estados. Uma média de seis crimes por dia! Sete de cada dez vítimas foram atacadas pelo atual ou pelo ex-companheiro. Em muitos casos, crianças presenciam os ataques. E tem gente que ainda acha que feminismo é mimimi. Recentemente, ao falar desse assunto no Instagram, recebi relatos privados de mulheres que foram violentadas. Algumas, com ou sem proteção, vivem com medo.

 

Neste país em que toda semana a nossa esperança parece ser estapeada, a vitória da Mangueira no Carnaval diz muito sobre a luta das mulheres. Algumas, depois de mortas, ainda têm a moral atacada. Ontem, no Twitter, um dos filhos do presidente criticava a vitória da Mangueira e dizia que “este país está de cabeça pra baixo”. Tá aí uma coisa que a gente concorda em unanimidade com o clã Bolsonaro, sem tirar nem por!

 

Mulher costuma ser compreensiva e ponderada. Mas está difícil entender essa Nova Era, em que presidente exibe para o mundo inteiro em rede social imagens que eu e você não temos coragem nem de compartilhar por WhatsApp. O anúncio vinha com um “temos de expor a verdade.” Verdade seja dita: que desserviço! O Palácio do Planalto, claro, tentou remediar o caso em mais um capítulo da novela “não era isso que se queria dizer”.

 

Eu costumo fazer um paralelo dos fatos com a educação das crianças. Travo uma luta constante em casa para ensinar responsabilidades. Das pequenas às grandes coisas. Aqui, não existe essa de “sem querer querendo”, quando você conhece as consequências do que vai fazer.

 

Se era pra expor a verdade, porque não se falou sobre o aumento  dos casos de violência contra a mulher, inclusive durante o Carnaval? Isso sim não é caso isolado, como o do vídeo usado para tentar denegrir uma festa que une e traz alegria pro povo.

 

Parte da verdade a Mangueira expôs de forma brilhante. Foi um Carnaval de representatividade, que exaltou a força da mulher, defendeu reparações históricas e cobrou a apuração de crimes como o que matou a vereadora Marielle Franco há quase um ano.

 

Quem se incomoda com o #MariellePresente deveria ser capaz de refletir sobre o próprio incômodo. Se a gente quer um país melhor, então, o respeito às mulheres pode ser o ponto de partida. E isso tem de começar dentro do coração de cada um de nós! Dá para tentar começar com bom senso. Com tolerância. Com verdade e responsabilidade! Nas redes sociais, inclusive.

Enquanto isso, neste 08 de março, vale lembrar que Mangueira é feminino. Feliz Dia Internacional das Mulheres!

 

*Vem pro @maesemreceita no Instagram. Vem, gente!

Esse vídeo é de fevereiro, mas está super atual.