foto: Pixabay

 

Qual é a hora que galo cacareja, hein? Ou melhor, a partir de que horas? E galo cacareja ao longo do dia?

Aguardo respostas, por favor. RSVP.

Enquanto escrevo, estou ouvindo galos cacarejarem na mata ao lado do prédio pra onde me mudei há uma semana. Em plena Belo Horizonte, não muito longe da região central.

 

Seria incrível, bucólico e até poético se os galos cacarejassem apenas de dia. Eu me sentiria na roça (ô saudade do sítio dos meus avós na infância!) e ia ficar feliz da vida de voltar pra Minas depois de 19 anos fora e sentir o clima rural tão perto de mim no meio da cidade. E em pleno 2022.

Pra quem acaba de deixar o mar para trás no Rio de Janeiro, um ambiente desses é pra caprichar nas boas vindas. Afinal, mineiro gosta de uma roça!
Mas tem um problema. E não é só pra quem não ama o Galo (o Atlético Mineiro, campeão brasileiro) não. Os bichos da vizinhança começam a cacarejar às 2h20 da madrugada.

Ninguém merece!

 

Outro dia desses, eu devia estar lá pelo meu sono REM quando, de tão indignada ao ser acordada com cacarejos que pareciam estar na minha cabeceira, decidi bater a mão na tela do celular. O relógio mostrava 02h23!

Não me conformo!

Sabe aqueles filmes de neve que a gente vê e acha lindo, mas só pra turismo? E pensa: Imagina viver num lugar gelado assim?!
Pois, bem. É o que eu estou sentindo.

Se fosse um hotel fazenda, seria o máximo. Mas ter o sono interrompido por galos diariamente numa rotina de trabalho intensa?

 

Eu, que não consigo desejar o mal nem pra quem me fez mal, preciso confessar que já até sonhei acordada que os galos morriam com a chuva torrencial do verão em BH ou com uma cobra que aparecia na mata.

Ô maldade. (Risos).
Pra minha defesa: tem coisa mais preciosa que noites bem dormidas? Sorte que meus filhos não acordam porque senão eu ia ficar mais furiosa! 


Indignada com tamanha perturbação, decidi consultar as vizinhas no grupo do condomínio no qual acabo de ser incluída.

“Meninas, sempre foi assim?

Já houve alguma tentativa de tirar os galos dali? Alguém tem isolamento acústico no apartamento?Só usa tampão? So-cor-rooo.

O que vocês fazem?”

Aí, pra minha surpresa, ninguém se manifestou dizendo que já haviam tentado tirar os galos do bosque, onde tem um mosteiro. Eu, jornalista que sou, pensei comigo: eu preciso ir lá saber de quem são esses galos! Não é possível que só eu não consiga aceitar o barulho deles.

Será que vou conseguir me acostumar? Quando, afinal?, são perguntas constantes.

 

Apesar do desespero, tive um alento porque me senti compreendida quando a Ângela, vizinha que ainda não conheço, disse:

“Eu também sofro com esses galos. Moro aqui há 2 anos e só durmo com o ventilador ligado pra abafar o barulho.”

As outras não se incomodam com galos cacarejando várias vezes ao longo da madrugada. Eu num dô conta não, como diria o mineiro.

 

A primeira tentativa de tampão no ouvido foi frustrada. O negócio se expandiu e escapou. Mas a minha mãe que usa pra não ouvir roncos disse que, depois que a gente aprende e acostuma com o mal estar (tô rindo muito de lembrar dela dizer que dá até ânsia de vômito de tanto que entope), corre o risco até de perder o emprego porque não ouve nem o despertador.
Hahaha. Ai, meu Deus!

 

Pode parecer bobo o transtorno causado pelos galos, mas não! É feito aquelas pelinhas soltas nos dedos ou machucado no dedinho do pé. Pequeno, mas tira a paz do sujeito.
Não sei qual será a solução e já es
tou pedindo intervenção divina.
O ano está acabando, 2022 vindo aí e já tô desejando uma vida na roça urbana sem perturbações no sono. E que a gente tenha paz na vida, na alma, no espírito, no trabalho, na cidade, onde quer que seja! E muita saúde física, mental e espiritual.

Que Deus nos abençoe no Ano Novo! Feliz 2022!

 

*Vem pro @eupriscilladepaula, no Instagram. Vem, gente!