foto: Pixabay

 

Tente imaginar o cenário que me veio à cabeça na minha última sessão de análise:

É alto mar e você está lá, sem ver nada além de água. Continua nadando, nadando, nadando. Mas, às vezes, parece que não sai do lugar. Faz calor, a água é salgada. Você não vê terra firme e tem medo do socorro não chegar a tempo…

 

A cena diz muito sobre um sentimento que tem me visitado, desde que decidi recusar uma vaga fixa de emprego, em outubro, para buscar o que tem mais a ver comigo e apostar em coisas que acredito e quero fazer há bastante tempo. Pra minha surpresa, descobri que essa sensação não é só minha.

 

Dividi essa história dentro do Uber, ontem, com uma colega que tinha acabado de conhecer num encontro de mães empreendedoras. Como boa fisionomista que sou, tive a impressão de que já a conhecia de algum lugar. Justo ela, uma das duas mulheres que mais me chamaram a atenção na disputa por uma bolsa no programa de aceleração de uma empresa super bacana que conheci há dois meses, a B2Mamy. É uma aceleradora de negócios para mães que querem empreender.

 

Ligamos os pauzinhos e bingo, Larissa e eu já tínhamos nos visto algumas vezes no clube e descobrimos muitas coisas em comum, além de estar correndo atrás de um propósito e de morar no mesmo bairro. Coincidências como essa, numa cidade como São Paulo, fazem paulistanos dizerem que esse é um “mundo ovo”.

 

Juntas na gema do uber, enquanto ela voltava a me impressionar contando dos anos do MBA em Nova York, do tempo que morou lá a trabalho e da decisão de pedir demissão há quatro meses de uma empresa americana, aqui no Brasil, lembrei da minha última sessão no divã. E decidi contar pra ela:

 

“A sensação que tenho, às vezes, é de que estou em alto mar. Pior: no desespero da pressa pela sobrevivência, dá um sentimento de que tudo aquilo que aprendi e que sei fazer muito bem não é suficiente para me tirar dali. É como se eu me cobrasse porque não treinei natação em longas distâncias, porque não fiz mais jejum intermitente pra me preparar para esse momento…”

 

Foi aí que descobri que essa mãe de dois filhos menores que os meus, que escolheu uma carreira totalmente diferente da minha, que teve a felicidade de trabalhar em empresas internacionais, que já se conectou com pessoas que querem participar do negócio dela e que tem uma ideia super bem apresentada com um Pitch incrível (aprendi esse termo agora), também se sente assim.

 

“Esse momento da vida é “overwhelming” (esmagador). É tanta coisa pra fazer, são tantas direções para onde você pode ir, é tanta coisa nova para aprender… A tecnologia, os jargões… É tudo completamente diferente do que eu aprendi no MBA de empreendedorismo oito anos atrás nos Estados Unidos.”

 

Não precisou de mais nada para eu passar a acreditar que não somos apenas duas que temos as mesmas dúvidas, os mesmos medos, a mesma sensação.

 

“Não é pelo conhecimento, porque você é especialista na sua área e eu sou na minha. E tem um milhão de outras coisas que eu me sinto perdida. Empreender dá essa sensação de estar perdida no mar. É um caminho longo, ardiloso, que você não sabe qual é a resposta… nem qual a direção. Daí você adiciona a decisão de ter saído do emprego fixo e pensa: será que eu fiz a coisa certa?”

 

Apesar de todas essas dúvidas que a gente compartilha, tenho descoberto na análise que, enquanto você tenta buscar saídas, você também descobre coisas incríveis sobre si mesma e sobre o que realmente te move. Depois da última sessão, graças à minha analista, passei a chamar essas descobertas e reflexões de “achados”. E confesso que a minha fé fortalecida em Deus tem me ajudado na travessia.

 

A gente pode até não ter encontrado a saída ainda. Mas, com vitalidade, dá até para mudar a estratégia, se for preciso. A parte boa dessa jornada de dúvida, de mudança, de construção e do mover-se por um desejo é ter a felicidade de se conectar com pessoas incríveis. Nesse mar, você descobre que não está sozinha e pode criar relações que te fazem perseverar pra chegar em terra firme. Fico com uma frase que ouvi ontem da Dani Junco, uma maratonista aquática que parece viver em alto mar: “Seja gentil com gente. E agressivo com números.” Isso ajuda até a espantar tubarões.

 

* Hoje tem vídeo. Sobre a pressa que bate quando a gente se sente em alto mar.

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