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Se tem uma coisa que tem o poder de transformar a vida de uma mulher que é mãe são as questões e os sentimentos dos filhos. Quando eles estão bem e felizes, a vida fica muito mais leve. Se estão tristes, aflitos ou inseguros, a gente é tomada pela angústia. Daquelas que doem no meio do peito. Sabe? Dá tristeza, preocupação, ansiedade, confusão, medo e, quando cabe, vontade de desistir. Ah, se dá!

 

Vivi esse turbilhão de sentimentos ao longo dos últimos três meses, desde que meus filhos souberam que íamos nos mudar de SP para o Rio. A Priscilla mulher decidiu vir junto com o marido, apesar de muitas questões e de muitos medos. Mas quem sofreu mais foi a Priscilla mãe. (Como se fosse possível separar duas pessoas num só indivíduo…)

 

A verdade é que as questões pessoais de uma mulher são diferentes e eu diria até que são menos sofridas do que as que uma mãe carrega. Na mudança, por exemplo, a mãe que lidou com o sofrimento dos filhos em deixar a casa, a escola, o clube e os amigos da cidade onde nasceram estava um caco por dentro. Por causa disso, deixei várias coisas da vida escaparem. Doeu muito vê-los viver essa separação com tanta tristeza. Meu coração, vira e mexe, ainda fica apertado.

 

Não fosse a mulher analisada que conhece seus desejos (muitos deles diferentes dos desejos da mãe, confesso), talvez eu tivesse sucumbido “por eles”. Mas a minha análise não me permitiu. Nem a minha fé. Ainda bem.

 

“Mãe, por que a gente não pode morar em SP e o papai no Rio?”, perguntavam toda semana. “Por que eu não estava feliz no trabalho e também acredito que a minha vida profissional pode ser legal lá.”, foi uma das respostas que eles ouviram. A família unida é importante, eu sei. Mas uma mãe precisa se reconhecer como indivíduo. Eu precisava apostar e vir.

 

A certeza do quanto é importante mulheres conhecerem seus desejos pessoais, independentemente dos filhos, é uma força que me move. Isso eu aprendi com a minha mãe. Teve um tempo na infância que eu não entendia, mas só me fez bem.

 

Para superar o medo e a insegurança naturais, a fé em Deus me faz acreditar, desde a decisão, que tudo vai dar certo e que as crianças também vão ficar bem. Tem mais: eu sei que elas se adaptam facilmente quando a vida é gentil e que essa história vai ser acervo de superação de muita utilidade no futuro.

 

Pra minha alegria, enfim, chegou o dia em que eles se alegraram. Às vezes, ainda demonstram que é como se estivessem no Rio curtindo as férias e que, no fim, vão poder voltar para a vida que conhecem em SP. Mesmo assim, a mãe que me habita já respira aliviada. Aos poucos, as nuvens se dissipam. Graças a Deus, aquela angústia começa a dar lugar à leveza. E não é que esses sentimentos da mãe ajudam a mulher a se fortalecer para enfrentar o novo momento da carreira, a nova fase do casamento e todas as construções que vão precisar ser feitas?

 

Mãe e mulher sempre em luta. Juntas, quando se respeitam, sempre nos fazem melhores, mais leves, mais fortes, mais corajosas, mais sensíveis, mais humanas. Ver as crianças felizes com as novas possibilidades, apesar das muitas perdas, é um bálsamo. E é combustível para continuarmos. Sigo com coragem e com muita entrega de fé. Pra eles, por nós e por mim.

 

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