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Há quem acredite que passar um tempo sem ter a noção da realidade possa ser melhor do que encarar de frente os fatos que nos perturbam. Deixar alienar-se… De fato, pode ser mais proveitoso do que acompanhar a realidade. Mais fácil é, com certeza.

 

Ou, então, numa versão mais branda para lidar com os fatos, ver e fingir que não está vendo. Pode ser por negligência ou por autopreservação. Mas tem uma outra vertente: a de pessoas que, simplesmente, não compreendem a realidade. Ou nem querem.

 

O fato é: o negócio está sério na base, a educação. Agora, chegou ao ensino superior. “As universidades estão sob ataque.”, alertam os especialistas. Diante dessa triste realidade que nos transforma, cada vez mais, num povo ignorante, sem capacidade de pensar criticamente, há diferentes formas de reagir:

1) ignorar.

Afinal, vai se preocupar pra quê, se não tem filho lá? Daqui uns anos, é só mandar os herdeiros pra estudar no exterior. (Viva o próprio umbigo!)

2) se assustar, mas não se manifestar.

Por medo, cautela ou simplesmente por falta de argumentos.

3) se indignar e tornar isso público.

Seja como for.

4) não compreender o que está acontecendo.

 

Acredite se quiser, ainda tem uma turma que é capaz de comemorar. Recebi uma mensagem indignada de uma leitora que se assustou ao ouvir, durante o feriado: “Tem que acabar com isso mesmo porque onde já se viu alguém estudar filosofia, sociologia, antropologia numa universidade pública? Esses cursos vão mudar o quê? Faculdade é tudo putaria!”

Segundo ela, várias pessoas no entorno aplaudiram e, alguns, ainda disseram: “Eu gosto de gente sincera!”

Ignorância, agora, virou sinceridade. Ó céus!

 

Esse tipo de reação mostra que não são só as universidades que terão 30% das verbas cortadas que estão sob ataque. O pensamento crítico está sob ataque! Se é que já não morreu por aí…

 

Experimente ter um pensamento crítico pra você ver o que acontece. Criticou alguma decisão estapafúrdia, ideológica e, às vezes, persecutória? “Esquerdopata!” Defende o livre pensar, o meio ambiente, gay, índio, negro, pobre e universidade de qualidade para todos? “Vai pra Cuba!” (tem gente que ainda está dizendo isso por aí!)

 

Se for crítica com fundamentos técnicos, estatísticas ou opinião que leva em consideração informações relevantes de especialistas, a crítica (rasa) mais comum é: “Mídia tendenciosa, não dá mais pra ler!”

 

Tem quem diga que “uns só criticam, em vez de ajudar”. Pois eu tenho lido centenas de especialistas e até a OAB se posicionando com sugestões para melhorar o que está posto ou proposto, em diferentes áreas. Mas nada serve. Quem pensa  – se não for pra dizer amém – é mal visto, mal recebido, mal interpretado.

 

“Cada real do contribuinte é importante”, afirmou o ministro da Educação Abraham Weintraub. Mas se o conhecimento, as estatísticas, a história, a importância das ciências humanas são ignorados, como é que cada real é importante?

 

Mais fácil entrar num coma racional profundo e, só daqui uns anos, se dar conta de que, além de não termos conseguido melhorar a educação básica brasileira, conseguimos minar o que dava certo nas pontas, as universidades. Muitas bem colocadas em rankings de ensino e pesquisa, onde a gente gostaria que os filhos estudassem. Vamos nos mediocrizando e vendo acabar aquilo que um dia foi sonho para os jovens mais pobres e meta para os mais ricos.

 

Onde foi ou quando foi que a gente decidiu parar de evoluir? Ou, como foi que a gente permitiu que isso acontecesse? Opiniões, com a educação que houver, por favor.