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“Mãe, os meus sonhos bons me ajudam muito.” Quanta verdade nessa frase que me surpreendeu, agora há pouco, enquanto levava Gabi para a escola. Minha filha nem pode imaginar o quanto isso tem tudo a ver com as minhas novas descobertas.

 

Quando eu era pequena, eu tinha muitos sonhos, como qualquer criança. Me lembro bem deles. O maior de todos era entrar na televisão. Naquela época, década de 1980, eu achava que a turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo e a do Balão Mágico ficavam dentro da caixa.

 

Cresci acreditando que boa parte dos sonhos que sonhei era possível. Durante muito tempo, acreditei que, para realizá-los, só dependia de mim. De querer e de correr atrás. Fui estimulada a acreditar nisso. Foi por causa disso, e do meu desejo, certamente, que muitos deles se tornaram realidade.

 

Quando a gente acredita, a gente vai… Só que, as decepções também acontecem. E, com elas, a gente começa a se transformar aos pouquinhos. Como quase todos nós, aprendi a me adequar à conjuntura, à realidade… às mudanças de rumo por causa de escolhas que fiz. Mas, quando me dei conta, já tinha perdido parte daquela essência que me fazia sonhar.

 

A gente passa a acreditar que não dá. Inconscientemente, que é melhor nem tentar. E fica cruel com a gente mesmo. Pior: sai reproduzindo essa dureza na relação com os outros, que não têm nada a ver com as nossas frustrações.

 

Quem já ouviu uma criança dizer o que sonha fazer no futuro? Ser bombeiro, professor, jogador de futebol, médica, modelo, cientista… Diante de uma revelação dessas, o que você diz?

 

Nos momentos de maior frustração, confesso que já tive dúvidas sobre o que dizer. Muitas vezes, a gente acha que é melhor ser realista, para poupar o outro do sofrimento. E se engana. Hoje estou convencida de que é melhor dizer: “Você pode sonhar o que quiser! Se fizer a sua parte e tiver fé, tem grandes chances de dar certo!”

 

Acreditar tem poder. É isso que nos move. Os sonhos bons nos ajudam, sempre.

 

Tenho descoberto, por experiência própria, que boa parte da nossa dificuldade em acreditar que é possível, e em dizer isso para as crianças, é fruto do nosso medo. Medo de dar errado; medo de se decepcionar; medo de sofrer; medo de perder; medo de abrir mão da segurança…

 

Só que o medo bloqueia.

 

Tem gente que passa a vida achando que isso é normal, que tem de aceitar. Recentemente ouvi de uma ex-colega de trabalho, mais velha que eu: “Pra gente, não dá mais!” Como assim? Eu tenho 40! E se tivesse 50, 60, 70… e ainda fosse capaz de sonhar, também não aceitaria uma sentença dessas. Não mais.

 

Enquanto deixei meus maiores sonhos de lado, experimentei um sentimento de desencaixe e de frustração enormes. Mas veio a inconformidade, ainda bem. E isso me despertou a vontade de romper com tudo, de mudar.

 

Quando a gente entende o que está por trás daquilo que nos limita e do que nos faz mal, a gente começa a se libertar. Toma coragem de correr atrás do que quer, de se arriscar de novo e, sobretudo, de ser o que é.

 

Aí, alguns dos melhores sentimentos da infância e da juventude brotam no coração e a gente se lembra de como era melhor quando acreditava que tudo era possível.

 

Os sonhos podem mudar. Mas, no fundo, aquela essência original volta a aparecer e você toma coragem para voltar a ser o que realmente é. A despeito das circunstâncias, não é que, acreditando e criando saídas, o caminho começa a se abrir?!

*Hoje tem vídeo: Medo, Coragem, Desejo. E fé. Pra se livrar do primeiro, eu precisei de tudo isso aí.

Assista.

 

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