foto: Pixabay

 

Completamos duas semanas de detox aqui em casa e já ouvi:

– Mãe, uns colegas estavam falando de um canal que tem vídeos sobre jogadores e eu disse que você não me deixava ver.

– Hum…

– Daí, eles disseram: “O que é isso, não pode ver YouTube? Você não tem vida!”

– Ah, é?

-É, mãe. Futebol é metade da vida. YouTube é o resto.

Ri e não rendi o assunto. Essas crianças têm cada uma!

 

Tudo porque depois do susto que tomei com as chuteiras furadas com faca – ideia do tal vídeo do YouTube, arranquei o computador da tomada, para não correr o risco dele ser ligado no que não deve na minha ausência. De lá para cá, temos arranjado outras coisas para aproveitar o tempo livre. Como fazíamos quando a vida não girava em torno da internet. É óbvio que se a máquina ficasse ligada, como nas férias, seria mais fácil. E meu filho de 9, provavelmente, daria mais risadas. Mas só enquanto está assistindo. Porque, depois, a consequência é imprevisível.

 

Nos últimos dias, ouvi casos surpreendentes de experiências de famílias com a falta de filtro no YouTube. Olha essa: a mãe deixou a filha de 7 anos assistindo a um vídeo e, de repente, ouviu um choro real de recém-nascido. Saiu correndo pra ver o que era e, quando se deu conta, a plataforma tinha apresentado um vídeo de um parto (não sei de que tipo) para menina. Assim, sem mais nem menos.

 

Uma outra amiga me contou que o filho pequeno se transforma – pra pior – vendo YouTube. Fica fazendo brincadeiras bobas e falando besteira. Aconteceu aqui em casa. Por causa desse tipo de coisa, muitas me disseram que, como eu, também suspenderam o acesso ao besteirol.

 

Mas tem o contrário. Já pensou pagar R$ 180 por pessoa – sem direito à meia entrada para criança – para assistir ao youtuber Felipe Neto, que lota estádio? A turnê dele pelo país está bombando, como dizem. Vi vídeos de crianças gritando: “Felipeeee, eu te amooooo!”, insistentemente.

 

Mas esse não é aquele moço que fala palavrões, grita e faz marketing indireto, o tempo todo? Uai, gente.

 

“Tem nutella com a marca dele. Pão de queijo e coxinha com a marca dele. Livros, roupas com a marca dele… É chocante!”, confessou uma amiga que tem dois sobrinhos enlouquecidos por esse moço. Sonho de vida dos pequenos: ser youtuber, como o ídolo, claro. Tem criança de 5 anos que sai com um colarzinho com a foto do influenciador no pingente.

 

Nesses novos tempos, tem gente que vê como privação não deixar os filhos se envolverem com isso e acha radical cortar o acesso aos canais. Há quem defenda que não tem de proibir nada, apenas ensinar os filhos a ter senso crítico. Pra mim, o senso crítico na primeira infância e um pouco depois dela vem desse limite: não vai assistir ao que eu não considero bom e ponto final. Com direito à explicação dos porquês.

 

Ao mesmo tempo que meu filho ouve de amigos que “sem youtube não tem vida!”, e reconta a história pra ver se cola, ele descobre, na verdade, que tem muitas possibilidades com outras coisas pra fazer. Sou do tipo que acredita que o melhor nem sempre é ser legal.

 

Agora, independentemente das nossas opiniões, cada um faz o que acha que deve na educação dos filhos. Ou faz o que é capaz de fazer. Apresentar pontos de vista é ótimo, porque estimula a discussão. Mas é melhor não se meter na decisão dos outros. Ou você vai sair por aí escrachando nas redes, nas rodas de conhecidos ou na vizinhança os pais que pensam e educam diferente de você?

 

*O vídeo de hoje é sobre a arte de educar sem dar palpite na vida alheia, tão necessária hoje em dia.

 

Vem pro Mãe Sem Receita no Facebook e no Instagram – @maesemreceita. Vem, gente!