Eu ia criticar o feminismo antes, mas arreguei. Deu medo de acordar um dia com uma cabeça de cavalo ao meu lado, na cama. Mas como escrevo no Estadão, arrumei valentia e resolvi encarar. Então aí vai: pra mim, o feminismo precisa se dedicar a causas mais importantes.

 

Me explico: depois de décadas de luta, muitas coisas foram conquistadas. Imagine que nem votar as mulheres podiam. Mas faz tempo que o feminismo não faz um golaço. Delegacia de Mulheres ? Super importante. Nossa mãe. Mas isso faz 30 anos. O movimento é, hoje, um braço armado do politicamente correto; fica implicando com picuinha e assunto mixuruca. Se Vinícius de Moraes fosse vivo, iam acusar o poetinha de ser machista. Claro ! Ou vocês acham que “coisa mais linda, mais cheia de graça” ia passar batido ? Vixe santa. Chamar mulher de “coisa”? É o mesmo que chamar de cinzeiro. Um horror !

 

Falta total de foco. O feminismo devia se dedicar ao que é relevante. Sugiro aqui uma causa justa: dinheiro. Dimdim. Arame. Bufunfa. Gaita. Larjã. Comecemos pelo lado financeiro, vamos melhorar a grana – depois a gente vê outras questões. Básico.

 

Fato: os salários são 30% menores para as mulheres (menos na indústria pornô, onde elas ganham mais). Mais ainda: a desigualdade salarial, ao invés de diminuir, só aumentou na última década. No mundo todo é assim. Até na Dinamarca e Suécia – tão civilizadas que parecem nações marcianas. E qual a razão disso, se as mulheres entregam o trabalho da mesma maneira – muitas vezes até melhor, porque são mais organizadas, têm mais inteligência emocional e jogo de cintura?

 

Segundo Harvard University (48 ganhadores do Nobel !), os salários baixos se devem ao útero: as mulheres estão menos dispostas a trabalhar duro porque têm que cuidar dos filhos. Ainda segundo a prestigiosa escola (aparece até em filmes !), quando a batata assa no trabalho as mulheres largam tudo e correm pra casa cuidar da prole – e dane-se.

 

Bom, as mulheres de Harvard devem estar com a vida ganha. Pelo menos onde eu moro (Via Láctea), elas trabalham até mais que os homens. Porque têm jornada dupla: as loooongas horas no escritório – mais um curto tempo em casa, administrando filhos, marido, janta, supermercado, escola, lição de casa, roupas e quetais. Cansei de ver amigas sendo informadas dos primeiros passos pelo celular, enquanto preenchiam planilhas. Aonde que elas dão preferência à vida doméstica ? Só se for em Harvard. O cálculo do salário deveria ser baseado no trabalho em si – com um troco a mais pelo que elas deixam de viver enquanto estão na firma.

 

Com salário melhor, a luta fica mais fácil; a pessoa compra briga e compra até o adversário. Vou dar um exemplo dessa tática: aquele deputado que tem templo e canta. Não é muito aberto a progressos, esse deputado. Por ele, as mulheres não usariam nem biquini. Então vamos comprar o templo dele na raça e transformar tudo numa Shoe Stock, ou num lugar para depilação Brazilian Wax – o que for desaforo maior. Por mim, tudo bem que as mulheres usem o poder da grana. O capitalismo foi inventado pelos homens, né? A gente meio que começou tudo.

 

Dinheiro é o que move o mundo; foi atacando as finanças que os Estados Unidos enfraqueceram a Al Qaeda. Funciona. E bem. Basta lembrar a primeira eleição do Clinton. O oponente (Bush Pai) vinha falando disso, daquilo, meio atirando pra todo lado, e o Clinton mandou direto onde sempre dói mais: Its’the economy, stupid.

 

Deu certo pra Hillary.