Tem esse japonês que foi pro altar com um DS – o game portátil. Na verdade, ele se casou com a personagem dos jogos (Nene Anegasaki, o nome da noiva). Mas há dúvidas nesse amor. Muita gente diz que o cara queria juntar com o eletrônico mesmo e inventou essa história porque o Japão não aceita matrimônios com objetos inanimados. O Japão é um país muito desenvolvido.

 

Outro rapaz, também lá do Japão (trata-se de nação civilizadíssima), se casou com um travesseiro. Vestiu o gorducho companheiro com grinalda, disse sim pro padre e postou toda a cerimônia no Instagram. Superfofo. Normal, né, gente? Uma das coisas mais legais de se casar é mesmo dormir junto. E qual seria o presente pro casal casadoiro ? Uma fronha?

 

E tem essa outra moça lá da Inglaterra – Grace Gelder –  que chamou amigos, convidou padrinhos, contratou bufê para desposar com uma pessoa muito especial: ela mesma. Sério. Diz que ela estava cansada de ser só, seis anos sem namorado, então daí resolveu o assunto internamente. Imagino ela, sentada na varanda em Bristol, diante do senhor seu pai, para pedir a própria mão. O bom da relação é que não há dúvida de quem paga a festa do casório: pai e sogro são a mesma pessoa.

 

Aí você pensa que Grace achou melhor primeiro gostar de si – pra depois poder amar os outros. Uma viagem em busca da auto-estima. Seria um motivo interessante. Mas não: a justificativa que ela deu para compromisso tão auspicioso foi outra: ter um relacionamento normal era “trabalhoso” demais. Desconfio que Sr. e Sra. Game Portátil e o casal Travesseiro devem achar a mesma coisa.

 

Então: relacionamentos dão trabalho mesmo. Concordo. Tem que ter respeito, diálogo, carinho, companheirismo, paciência, dinheiro, teto, máquina de lavar roupa, tv a cabo, edredon, vixe: só de falar me canso. Nesse sentido, as opções de união unilateral – onde só existe um ser humano – são mesmo muito práticas. Facilita o dia a dia de monte. É o fim da DR, por exemplo. Grace de Bristol pode ficar horas discutindo a relação com sua companheira que vai estar literalmente falando sozinha. O game, então, dá até pra desligar.

 

Essa ideia de união simplificada realmente abre muitos horizontes.

 

Por exemplo: garotão gosta de aproveitar churrasco e cerveja até cair – e vive brigando com as namoradas por causa disso. Pronto: ele pode se casar com um Grill George Foreman. Vai ser feliz para sempre. Ou então: gatinha caseira, simpática à rotina, chegou aos 40 sem nunca sequer ter namorado. Adora cebolitos e refris à base de açaí. Ela pode juntar escovas de dentes com o Netflix, olha que ideia boa. Ou então: rapaz que adora a vida bafom. Adora a night. Pra ele é pôquer, mesas com feltro verde, copo de uísque, fumaça. Fácil: o marido pode ser um boneco do Ronaldo Fenômeno.

 

Muitas ideias, todas buscando algo que realmente falta nas relações humanas: facilidade.

 

Mas e o sexo? – me pergunta, arqueando a sobrancelha, a leitora libidinosa. E na hora do vamovê ? – quer saber o leitor libertino. Ué, aí basta deixar o Grill, o travesseiro, o DS, a companheira de lado e partir pra cima da amante: internet. Xvideos, Youporn, PornHub, Xhamster, não faltam pretendentes.

 

O importante é facilitar.