A Universidade de Northwestern fica em Chicago, nos States. Tem ex-alunos importantes. Um deles é o Hugh Hefner – fundador da Playboy e colecionador de coelhinhas. Talvez por isso a Northwestern destine tantos recursos para estudos sobre relacionamentos (coisa que o Hugh teve de monte, cala-te boca).

 

Segundo um desses estudos, falar bastante sobre o fim de um namoro ajuda em muito a superar o pé na bunda. Verdade: quanto mais o sofrido amante pensa na história toda e na própria ex, mais rápido ele vai esquecer a maldita e imatura e sem noção e maluca. Claro que o mesmo se aplica à mulher: quanto mais a castigada gata pensar como ele foi desgraçado e egoísta e covarde e purulento, mais fácil será a recuperação do tombo.

 

Foi pesquisa bem feita, lance sério. Primeiro, os pesquisadores foram buscar voluntários. Imagino que na sarjeta. Era um monte de candidatos – claro, tem gente pacas sofrendo dor de amor pelo mundo. Dividiram o povo todo em dois grupos. Um maior, de 120 pessoas, falava e remoía o assunto até babar sangue, ao longo de várias semanas. O outro grupo, menor, respondeu apenas a questionários protocolares – coisa leve, sem arranhar o machucado. O resultado foi claro: as pessoas do primeiro grupo conseguiam se enxergar mais facilmente vivendo sem o antigo amor.

 

É o contrário do que eu imaginava. Pra mim, o primeiro passo para esquecer é justamente não pensar no assunto. Mas, não: pelo visto, isso só coloca a história toda em uma prateleira lá no fundo do cérebro, perto do bife de fígado da vovó e ao lado das músicas do Menudo. Ou seja: se cutucar, o assunto volta com força, provocando enjôos e urticárias. A saída parece ser sofrer mais ainda – até a pessoa se cansar de tanta dor e decidir sorrir. Tem inclusive um episódio dos Simpsons com essa mesma lógica torturante: Hommer pega seu filho Bart fumando e entucha na boca do moleque dois maços acesos de uma vez só, para o pirralho desencanar daquilo tudo.

 

Ampliando e interpretando um pouco a pesquisa, lembro da terrível DR. Se a pesquisa realmente estiver certa, ficar mastigando incansavelmente um assunto não resolve os problemas do casal. Pelo contrário: faz a pessoa ter mais vontade ainda de sair daquilo tudo e ir tomar água de coco em Boipeba. Aquelas horas a fio com o carro ligado na frente da casa da moça, debatendo, polemizando, acusando? Vai meio tanque de gasolina nessa – e pra nada. Melhor seria os dois ficarem com o motor desligado, ouvindo Stevie Wonder e mandando currículo pro Tinder, do carro mesmo.

 

Por que eu resolvi falar dessa pesquisa justo no fim do carnaval, época tão feliz e permissiva? Porque pode ser que o melhor jeito de esquecer amores antigos não seja beijando metade do trio. Ou sacolejando o abadá suado com mais quinze milhões de pessoas. De repente, a melhor solução pra sair da fossa é uma casa no meio do mato, sem ninguém, sem internet, sem conexão, só você e a sua consciência. Pode ser.

 

Bom, temos o resto do ano pra ver o que funciona melhor: samba ou meio do mato.