Você conheceu uma pessoa. Parecia ser legal. Vocês andaram de mão dadas no Shopping, viajaram juntos, fizeram planos. Não era só um relacionamento: era uma perspectiva de vida em comum. Mas, infelizmente, não deu certo. Acontece. E você vai pro fundo do poço, ali onde só o Discovery Channel te acha.

 

Nessas horas de desespero, misery loves company. Você precisa de gente que passou por isso, gente que já esteve nesse mesmo poço  – e voltou viva pra contar. Tipo Hans Staden, que veio pro Brasil em 1548 e depois escreveu um livro narrando como escapou dos canibais.

 

São vários relatos, um melhor que o outro. Escritos por um pessoal muito bom: Beatles, Macy Gray, The Police, Chico Buarque (o compositor, não o político), Stones, Norah Jones e por aí vai.

 

Músicas para todo o tipo de fossa.

 

Se você está naquele estágio de curtir mesmo a dor da separação, temos a auto-explicativa “Cry Me a River” (Arthur Hamilton), temos “Ne me Quitte Pas” (Jacques Brell) e até “Atrás da Porta” (Chico Buarque). Clássicos do desespero. É pra quicar no fundo do poço e, com o impulso, voltar um pouco até a tona. “For No One”, dos Beatles, tem esse jeito também. Mas, cuidado com essa: quem canta é Paul McCartney. Parece que deixa tudo mais doloroso – exatamente o que muita gente procura.

 

Quem entra no sofrimento acaba escorregando pra raiva. Raiva ajuda muito a recuperação. Querer matar ao invés de beijar é meio caminho andado. Você tem muita coisa pra dizer naquela cara – mas faltam-lhe as palavras. Tudo bem: Alanis Morissette já fez o serviço por você.  Basta usar “You Oughta Know”. Ou então “Fuck You” (Cee Lo Green), ótima porque além de tudo é dançante. Dançar é bom, tira a catiça.

 

Agora, tem também as canções de louvor, que elogiam o ex. Bom avisar: diferente do ódio, esse louvor aí não ajuda em nada. “Every Breath You Take” (The Police) dá esperanças, roga a praga da lembrança eterna: “onde você estiver, eu vou estar com você”.  Outra assim é “I Try”, da Macy Gray: “apesar de eu negar, meu mundo desmorona sem você”. Não pode, gente. Assim não cura nunca.

 

Porém, nem tudo é tristeza e ódio numa separação. Tem quem se sinta feliz por se livrar do Tranca-Rua. “Happy Pills” (Norah Jones), “The Dog Days Are Over” (da Florence, para ouvir balançando o cabelo)  e “Desde que te perdi” (Kevin Johanssen) são dessas canções de alívio. Puxo um verso desta última: “Desde que te perdi a vida me sorri sem cessar”. Então, sorria ! Você se livrou do encosto !

 

Tem também “Angie”, dos Stones; ”I Want You Back”, do Jackson 5; “Total Eclipse of the Heart”, da Bonnie Tyler; “I Will Survive”, da Gloria Gaynor; nossa, a lista não acaba nunca. Sem falar no Gonzaguinha.

 

Enfim, aproveite a fossa e renove sua playlist. É melhor que o outro tratamento sugerido: encher a cara. Porque você, quando bebe, se transforma em outra pessoa. E essa outra pessoa não aprende nunca; vai acabar arrumando mais um traste.