Você deve ter ouvido falar no Complexo de Édipo. Tudo começou com Sófocles, lá na Grécia Antiga. Era uma peça de teatro. Resumidamente, para encurtar o drama: Édipo e Jocasta se apaixonam perdidamente. Ela era mais velha, ele mais novo. No fim da peça descobrem que são mãe e filho (pense!) – e a coisa descamba para a tragédia, gênero no qual os gregos eram sensacionais. Dois mil anos depois, Freud começou a analisar Sófocles (à revelia) e surgiu o tal Complexo. Quando um filho é muito grudado na mãe, é Édipo. Quando o lance é mãe e filha, forte a ponto da menina querer matar a mãe pra ficar com o pai (pense!), chama Complexo de Electra.

 

Mulher mais velha, como a Jocasta, sempre provoca arrepios na nuca – desde que não seja sua mãe. E, vamos combinar, as coroas estão mesmo sensacionais. No Brasil, uma das buscas preferidas em sites pornôs é justamente a MILF – aquela mulher que já tem filhos, mas ainda está com tudo super em cima. Pessoas fissuradas por uma mulher assim, mais vintage, sofrem da Síndrome de Mrs. Robinson. O nome vem do filme “A Primeira Noite de Um Homem”: Dustin Hoffmann, mal saído da faculdade, cai de joelhos por Mrs. Robinson (Anne Bancroft), mulher de seus quarenta verões. E linda.

 

Outra dessas enfermidades: Moléstia de Peter Pan. Também acomete coroas – mas, neste caso, homens. Sabe aqueles sujeitos que se comportam como se tivessem duas décadas a menos? Se recusam a crescer – como Peter Pan. É uma disfunção que tende a levar o enfermo ao ridículo – porque ataca a área da dignidade da pessoa. Os sintomas são claros: cabelo acaju, implante de boneca, bíceps apertadinho na camiseta, motoca barulhenta, botox até no cotovelo, barriga pra dentro da calça. Alguns praticam Crossfit.

 

Mal de Pequeno Príncipe, conhece? Aparece nos simpáticos, nos cativantes, nos sedutores de ambos os sexos, de qualquer idade. Funciona assim: as pessoas adoram a pessoa, fazem questão de estar perto dela – e se ressentem quando não têm sua atenção. O gente-boa não atendeu o telefone, não respondeu o zapzap, não deu like? Maldito seja! Pouco importa se o indivíduo está no meio da Dutra, guiando um trólebus desgovernado: a mera suposição de descaso, vindo de gente tão gentil, configura uma afronta imperdoável. É como no livro “O Pequeno Príncipe”, do Saint-Exupéry. Nele, o personagem do título sofre por se sentir responsável por aqueles que cativa. É praticamente uma praga: agora que você me conquistou, tem que cuidar de mim, não importa se lá fora os americanos estão jogando bombas atômicas e os russos, bombas de anabolizante.

 

Tem uma outra mais recente. Apareceu tem uns dias, e ainda está sendo estudada. Já sabemos que o contágio é rápido. Chama Complexo Olímpico. Leva à insônia, porque o sujeito fica até alta madrugada vendo natação e atletismo. Pode complicar a auto-estima, já que a gente está ganhando menos do que imaginava. Provoca euforia e patriotismo a princípio, evoluindo em seguida para decepção com o camisa 10 e desequilíbrio ético nas redes sociais. Tem remédio, mas é de difícil deglutição: o enfermo tem que torcer pros Estados Unidos ou pra China. Aí o Complexo vai embora.