agressão

Está sendo frequente recebermos notícias de agressões aos filhos nos últimos anos, acredito que isso sempre aconteceu só que atualmente as notícias se espalham e acabamos sabendo dessas situações com mais facilidade.

Ontem li uma matéria onde encontraram o corpo de uma garotinha no meio do mato, identificaram que estava ali há pelo menos três dias, porém não há queixas nas delegacias da região sobre o desaparecimento de alguma criança com essa idade. Isso me fez pensar que talvez os pais estejam envolvidos, pois do contrário já teriam prestado queixa do desaparecimento da mesma.

Muitos pais estão carregados de problemas na vida pessoal, profissional, financeira, e irritados, impacientes, acabam brigando com seus filhos e os surrando. Desta forma descontam neles a raiva e impotência que sentem, não sabendo separar o que é problemas deles com a relação que têm com os filhos. Outros estão tão desequilibrados que ultrapassam todos os limites possíveis e acabam matando os próprios filhos.

Não é o caso aqui discutir os casos que envolvem a psicopatia, mas levar a reflexão de como estão lidando com as dificuldades pessoais, em que se faz necessário separar os momentos de tensão daqueles em que precisam estar presentes acolhendo a família, suas crianças.

Podemos lembrar que muitos ao chegarem em casa, não admitem barulho ou alguns brinquedos espalhados pela sala, querem que os mesmos se comportem como se fossem adultos engessados, onde não reina o respeito e sim a obediência total. Nessas situações já percebemos o quanto se poda a espontaneidade dos pequenos, as iniciativas em criar, explorar e fantasiar, aspectos importantes na formação de qualquer criança.

Muitas irão apresentar um comportamento mais “rebelde” na tentativa de chamarem a atenção dos pais para si, pois o bom comportamento só traz tranquilidade aos pais que estão na verdade muito envolvidos consigo mesmos e esquecem de que ao terem filhos “assumiram” o papel de educador e protetor, pois crianças necessitam de afeto, carinho, atenção e contato. Frustrados só conseguem apanhar mais com a rebeldia, parece que nada funciona para ganharem o que é direito, amor e atenção.

Como não lidam bem com essa situação de se doarem aos filhos, acabam não dando apoio agredindo verbal e fisicamente os filhos. Carentes de afeto e incapazes de confiarem em alguém, em função de serem constantemente frustrados por aqueles dos quais deveriam ser seus protetores, crescem e se tornam adultos com dificuldades em se relacionarem e se entregarem ao outro, gerando um ciclo vicioso.

Esse texto além de chamar a atenção no sentido do papel dos pais em relação aos seus filhos, também tem o intuito de mostrar o quanto comportamentos de agressões são gerados por dificuldades pessoais, sendo imprescindível que esses pais percebam como estão agindo e evitando agressões desnecessárias, que deixam marcas para toda vida, quando não levam à situações extremistas e muitas vezes irreversíveis.