Vamos aprendendo a nos relacionar desde pequenos ao observarmos a interação entre os nossos pais e outros casais, e é nesse estágio da vida que entendemos como sermos gentis, companheiros, carinhosos, participativos, resolvendo as pendências da relação de forma respeitosa. A família tipo comercial de margarina seria perfeito e com certeza todos nós gostaríamos de ter passado por uma experiência assim, concorda?

Porém, a aprendizagem irá ocorrer de formas diferentes para cada criança, pois estará inserida em uma família que terá características próprias, afinal cada casa tem suas próprias regras e formas de interação. É claro que nada é perfeito e que todos temos falhas, então iremos passar por algumas dificuldades que servirão de aprendizagem para a vida.

Uns experimentarão um modelo familiar mais tranquilo, outros viverão em um contexto de falta de amor, agressão, frieza, outros nem família terão. Crescemos e vamos aprendendo como é isso nas relações fora de nossa casa, entendendo o mundo de forma mais ampla, com diferentes contextos.

Vamos a princípio reproduzindo o que aprendemos em nossa bagagem de vida testando como é se relacionar com o outro,  nesse processo usaremos as ferramentas que temos, e aí começa uma grande aventura, pois cada pessoa que encontrarmos provavelmente chegará com ferramentas diferentes das nossas.

Relacionar-se não é um processo fácil, porém todos nós queremos ter alguém para compartilhar a vida e formar uma família. Mal conhecemos alguém e já queremos inserir nossa rotina, partimos em busca de informações e muitas vezes rapidamente nos unimos para morar com o parceiro.

Buscamos e queremos dar amor, construímos um relacionamento ideal em nossa imaginação e quando nos deparamos com as diferenças, com a realidade do outro que é diferente da nossa, tudo desaba. E a verdade é que muitas vezes não estamos preparados para construir uma relação duradoura, pois não temos um modelo de relacionamento positivo, então agimos baseado em nossas carências, medos, inseguranças, e também na agressividade.

Quando nos damos conta de que o outro não atenderá as nossas expectativas tudo desmorona e não conseguimos encontrar um equilíbrio para sustentar a relação. E é nesse momento, nessa experiência, que deveríamos olhar para o que idealizamos e entender que nossas projeções muitas vezes são irreais e que relacionamentos têm desafios dos quais é necessário confrontar para que possa se desenvolver.

Vivemos uma cultura em que os relacionamentos são líquidos em que não se há paciência para se construir uma base sólida, e assim seguimos trocando de parceiros, buscando pessoas em aplicativos ou mesmo seguindo sozinhos após uma série de frustrações.

Talvez o caminho seja rever valores e crenças que você tem colocado para si mesmo como ideais e que talvez não sejam, podendo assim olhar sob outras perspectivas e ampliando as possibilidades de construir um relacionamento mais feliz.