Meu interesse em trabalhar em uma área que tem como um dos objetivos acolher a dor do outro nasceu muito cedo, pois desde a minha infância os relacionamentos têm sido um desafio em minha vida. Nascemos e somos criados pela nossa família ou por outras pessoas e vamos sendo expostos a todo tipo de comportamento por parte dos cuidadores, vamos construindo uma história e sendo construídas por ela também.

Ao longo do tempo vamos desenvolvendo ferramentas internas para nos adaptarmos à família e a sociedade, entendendo que cada pessoa que entra em nossa vida nos faz sentir algo bom ou ruim, e desta forma, reagimos de acordo com o que a nossa bagagem de vida nos proporcionou até o momento. Se tivermos mais experiências positivas, reagiremos de uma forma mais assertiva, caso contrário, a caminhada pode ser um pouco mais exaustiva.

A questão é que em uma sociedade onde a empatia se tornou escassa, vamos diariamente enfrentando situações que nos colocam em xeque, que testam nossa paciência, e nossa reação frente a esses desafios podem machucar as pessoas que cruzam o nosso caminho.

Os relacionamentos afetivos são um dos mais desafiadores, pois normalmente baixamos nossas defesas e nos entregamos, abrimos o coração e ficamos vulneráveis. Essa relação de intimidade com o outro abre diversas portas internas que estão relacionadas a valores, crenças, vivências afetivas anteriores e histórico familiar. E é nesse momento que devemos estar atentos, pois, afinal, a vida de uma pessoa é muito preciosa e devemos tocar o coração do outro com muita responsabilidade.

No entanto a realidade é que nem sempre isso acontece, pessoas que não estão preparadas ou abertas entram em relacionamentos motivados pela paixão, pela novidade, pela sensação de vida que inicialmente uma pessoa proporciona, sem medir as consequências em relação ao fato de não estarem realmente prontas para se doarem, para serem íntegros com os próprios sentimentos e com os do outro.

Esquecem que a gentileza, o carinho, o respeito e o acolhimento são aspectos necessários em qualquer relação, desta forma é preciso olhar para si mesmo e buscar resolver as questões afetivas pendentes antes de entrar no mundo de alguém. Não resolvemos conflitos internos colocando outra pessoa no lugar de um buraco que temos no coração, e sim, buscamos solucionar nossas dificuldades para assim poder acolher o outro em nossa vida.

Um processo que exige comprometimento, coragem e muito desejo de ser e fazer o outro feliz. Uma aventura em busca da resolução de traumas internos, dificuldades de entrega, e até de liberação de crenças que possam estar envolvidas impedindo que cada um possa estar inteiro em um relacionamento.

A partir daí tudo é possível, não que será harmonioso sempre, mas se você tiver inteiro, tocará o coração do outro com muito mais respeito.