A felicidade é um estado interno que muitas pessoas gostariam de experimentar, mas a verdade é que ser feliz pode ser extremamente incômodo. Aposto que essa afirmação gerou curiosidade e até indignação, mas vou explicar.

Infelizmente, a dor, a doença, os inúmeros obstáculos que enfrentamos, nos leva a um comportamento de tristeza constante. Saímos contando histórias de como vivemos doentes, das nossas desgraças, da falta de dinheiro, de como fomos traídos e tudo isso gera uma comoção e até uma identificação com o outro, que apressadamente também irá comentar as suas mazelas. Essa situação gera uma identificação e o faz pertencer a um grupo, te iguala aos demais e isso até é um conforto, um alívio.

O fulano também está sem emprego e com dívidas, então não estou sozinho. Isso me acalma, alivia meu ego que está em conflito. Não estamos falando de maldade, de inveja, mas sim de identificação. Estamos acostumados a nos identificar com a dor, com o sofrimento e isso nos dá uma identidade, nos faz sermos vistos, ouvidos e acolhidos.

A grande questão é que esse comportamento queixoso atrai a atenção do outro, acabamos recebendo acolhimento, uma palavra amiga, cuidados que se estivesse feliz não receberia. Desta forma você existe, é visto, falam sobre você, se mobilizam para atendê-lo, concordam? E quando estamos vivendo de forma mais plena, mais felizes, o que acontece?

Você já parou para pensar o quanto estar feliz incomoda? Quando começamos a comentar nossas vitórias, nossas alegrias, acabamos despertando a inveja no outro, a raiva, a competição. Estar bem, estar pleno mexe com o ego do outro, desestabiliza, como se você o estivesse afrontando.

Vivemos em um mundo competitivo, aprendemos desde cedo a buscar as melhores notas, o melhor cargo, o melhor casamento, carro, mas a felicidade não depende de nada disso. Dinheiro, status ajuda em muitas situações sim, mas a felicidade e o estado de plenitude nada têm a ver com esses fatores.

A felicidade é um estado interno, é a ausência de ego, é estar bem consigo mesmo, independente do que ocorre ao redor, você simplesmente é.

Poder sentir-se feliz por acordar pela manhã, de poder respirar, caminhar, de sentir no ar os cheiros dos ambientes, de olhar a natureza ao redor e se sentir inebriado. É focar no belo, ter gratidão pela vida, inclusive nos obstáculos, conflitos, dores que a vida proporciona que nos leva ao crescimento interno e espiritual.

Em um mundo materialista ser feliz pode ser um desafio imenso, um exercício de mudança de percepção, de ampliação de consciência que exige parar, respirar e prestar atenção e descobrir quem você é, e o que veio fazer aqui.

Uma tarefa aparentemente simples, mas pode acreditar, meu amigo, será um caminho bem desafiador e precisa analisar o quanto está disposto a se desidentificar com o sofrimento e buscar a mudança interna que abre caminhos para a felicidade plena.