labirinto e a moça

Sempre que somos convidados para um casamento é porque de alguma forma fomos espectadores de uma história de amor, vou me referir ao amor, pois essa concepção, apesar de tão conhecida por todos nós, afinal uma boa parte aprendeu desde que nasceu o que é ser criado em um ambiente onde esse sentimento se faz presente, é muito distorcida quando presenciamos algumas histórias.

Afinal, que maluco isso que eu disse, mas é só parar para pensar e avaliar o sentido da palavra para ficar claro que amor envolve aspectos que em muitas relações não se fazem presente. Voltando ao convite de casamento, as pessoas se casam muitas vezes com a idealização que fazem da outra pessoa, até por não terem muitas vezes a oportunidade de vivenciar momentos em que poderia fazer repensar a relação a dois.

Se bem que atualmente a liberdade que conquistamos nesse aspecto é muito maior que há uns trinta ou quarenta anos atrás, onde dormir na casa do namorado era algo inaceitável para muitas famílias e hoje é comum os pais dos namorados encararem de uma forma mais aberta.

Mesmo com a liberdade que temos hoje de conviver de forma mais íntima com nossos parceiros, identifico que não muda muito a forma com que algumas pessoas decidem pelo casamento, iniciando um relacionamento sem uma exposição clara do que pensam, sentem em diversas situações, em relação às famílias, aos amigos, sonhos, crenças e principalmente em relação ao real sentimento.

Desta forma, ainda mais despreparados, muitos não aprendem que antes de amar alguém é preciso se amar, dar conta de se cuidar sozinho, ter segurança de si mesmo, sendo aspectos importantes que podem definir em muitos casos o sucesso do casamento. Podem até questionar meu ponto de vista e é claro que não se aplica a todos os casais que conhecemos, mas com certeza alguns deles sim.

Desta forma entrando em um novo projeto onde se tem questionamentos não compartilhados e claros é a mesma coisa que ter um segredo que planeja revelar no primeiro ataque de raiva ou contrariedade e assim começa o declínio do chamado amor.

Quando sabemos bem o que queremos, aprendemos que o outro vem complementar em alguns aspectos, mas não se fundirá a você mesmo, cada um respeitando a individualidade do outro fica o caminho aberto para uma relação duradoura. É preciso mostrar quem somos, o que desejamos, saber realmente se o outro compartilha também desses projetos, ou mesmo questionar o quanto são necessários em sua vida ou não. Não resolve nada deixar o lado sombra escondido, temos que ser autênticos, mostrar nossas dificuldades, buscar mudanças possíveis, pois se vai casar e não suporta a sogra, nem entre no casamento, está comprando briga feia de cara.

E se a separação chegar a ser a solução para aqueles que não deram conta de se resolverem, meu amigo, o melhor mesmo é viver esse momento, se dar colo e revisar todo o processo, afinal não dá para partir para uma viagem com um pneu careca, uma hora ele pode apresentar um sério problema, muitas vezes, irremediável.