Era para ser um dia igual aos outros e de repente você sente uma dor no peito, angústia, tudo se mistura e o medo aparece. Você não entende o que está acontecendo, fica apavorado com a possibilidade de estar prestes a morrer, o coração batendo enlouquecido, suores, tremores e formigamentos surgem por todo o corpo. Pronto, a crise está instalada, mas você ainda não sabe o que fazer, o desespero parece não ter fim.

Talvez você saiba que eu descrevi uma crise de pânico, algo que antes parecia distante e que só acontecia com outras pessoas agora te pegou na surpresa, de calças curtas. Chegou sem nenhum aviso e até cair a ficha para você entender que não está tendo um ataque cardíaco, o sofrimento vai fazendo a festa no seu corpo e também na sua mente.

Todos nós reagimos ao medo, ele serve como um alerta para o corpo. É um instinto de sobrevivência que nos faz parar e recuar frente ao perigo sendo importante para a nossa sobrevivência. Porém, quando o medo que acompanha o ataque de pânico aparece, ele é incompreensível, o que nos faz ficar ainda mais apavorados, pois não entendemos o que está ocorrendo realmente.

Muitas vezes vamos sentindo os sinais aos poucos, a angústia vai aumentando, a falta de ar, o medo na hora de ir dormir, mas nem sempre ligamos os pontos, o que faz com que a demora por buscar ajuda nos cause mais sofrimento. Somente quando está insuportável é que cedemos e buscamos meios de resolver a questão, e de fato é muito importante que se faça isso o mais rápido possível.

A terapia é indicada, pois é imprescindível que se trabalhe os conteúdos e traumas que deram origem à crise, lembrando que normalmente há questões pendentes que levam à desorganização interna, a perda de controle sobre a vida e questões das quais será necessário cuidar e reorganizar.

Mas é preciso ficar claro que no momento da crise há outros recursos importantes, como a hipnose que tende a ser bem efetiva, medicações tanto alopáticas, como homeopáticas, além de outras opções que visam a mudar a qualidade de vida como um todo. Um dos fatores que gera a reincidência das crises é a não prevenção, a medicação por si só não é o caminho, lembrando que é como colocar um pano sobre um vespeiro, se descuidar uma vespa escapará e todo o enxame irá junto.

O pânico nos mostra que não estamos bem resolvidos com algumas questões da nossa vida e ao contrário do que acabamos imaginando, nem sempre é algo absurdamente grandioso, até uma simples brincadeira na infância em que o papai ou a mamãe nos jogava para cima brincando e prendíamos o ar, isso pode sim ficar registrado no inconsciente, pois um bebê não tem noção e nem recursos internos para elaborar as mensagens que o corpo libera nesses momentos. Fica ali o primeiro registro da falta de controle, do medo, da ansiedade e também das substâncias que o corpo libera nesses momentos de alto estresse.

É claro que você não deve se prender a esse exemplo, existem muito outros gatilhos, inclusive as pessoas que tendem a ser mais organizadas e controladoras são as que mais apresentam crises de pânico, por isso a necessidade de um trabalho mais profundo na terapia.

Vou deixar três dicas que serão excelentes e que devem ser rotineiras para que aprenda a manejar melhor as possíveis crises como: exercícios de respiração, práticas de meditação e Yoga.

Os recursos são simples, lembrando que o mais fácil nem sempre é o caminho mais efetivo, então se dedique a erradicar os gatilhos emocionais que acionam os episódios do pânico, para que possa ter de volta a qualidade de vida que você merece.