Nessas últimas semanas venho me perguntando sobre como é difícil chegarmos a um consenso sobre o que é certo ou errado. As mídias sociais revelam concretamente como as diferenças levam as pessoas a mostrarem o seu pior lado. Entram em uma guerra acirrada para mostrarem que a forma que pensam é a correta, passando com um trator destruindo quem não compartilha da mesma opinião.

O que mais me assustou foi identificar que a criança ferida grita ainda muito forte dentro de nós. Vou explicar melhor. Tenho certeza de que se buscar em sua memória irá se lembrar que já presenciou uma criança em situação de birra. Talvez ela quisesse ficar mais tempo na festa de aniversário do amiguinho, ou quisesse de todo jeito convencer os pais a comprarem o brinquedo que viu na loja. Não importa o que era na verdade, pois para essas situações terem acontecido uma série de vivências anteriores serviram de reforçadores para o comportamento da criança e não cabe a nós escolhermos quem errou ou não.

A grande questão é que somos seres livres e podemos optar pelo caminho que queremos trilhar e julgar o outro faz parte dessa escolha. Então a questão aqui é qual o propósito da sua vida? Quando essa questão está bem clara tudo flui em harmonia, não permitimos que pensamentos disfuncionais afetem nossas escolhas, pois sabemos diferenciar o que é nosso e o que é do outro. Sabemos o que podemos acolher de bom e simplesmente não se permitir afetar pelo o que não é.

Como vivemos em uma grande escola chamada vida, o propósito maior que devemos ter como pilar de sustentação é acolher, ter empatia e respeitar as diferenças. Praticamente todos os desajustes que somos expostos nascem dessa divisão, do não respeito, de não conseguirmos olhar e aceitar o outro como ele é, o que leva muitas pessoas se rebelarem como a criança ferida, que quer a qualquer custo fazer valer a sua vontade e verdade.

Mas o que presenciamos nas mídias é um destilar de ódio, de frustração e o não acolhimento das diferenças. Um querer ser aceito e validado a qualquer custo, mesmo que esse comportamento signifique tirar de sua vida pessoas que até então lhe deram sustentação, amor e atenção. O ódio explode as relações, minam o que tem de mais belo na vida humana que é o amor. A questão que levanto é quanto você está aberto a encontrar e promover a paz ao seu redor, pois há diferenças gigantescas entre o que para você é importante e do que faz sentido para o outro.

Meu convite é que cada um olhe para o que vem propagando no mundo, o quanto as suas ações contribuem positivamente ou vem espalhando raiva e rancor. Falar de amor nem sempre é uma tarefa fácil, até porque esse sentimento também é distorcido em nossa cultura, mas se pudermos olhar verdadeiramente para dentro de nós e buscarmos de forma bem aberta ajuda para melhorarmos e assim poderemos então estar mais preparados para construir um mundo melhor.