Não precisamos queimar muitos neurônios para nos lembrar de alguém que conhecemos que está sempre reclamando de algo, são pessoas que não conseguem enxergar a vida de uma forma positiva. O funcionamento dessas pessoas tende sempre a desvalidar o outro para se colocarem no lugar da vítima, como se realmente fossem incapazes de tomarem decisões e atitudes.

Normalmente estão tão centradas em si mesmas e em suas dores que dificilmente ampliam o olhar para acolher as coisas boas que a vida oferece. Quando tentamos ajudá-las, prontamente respondem negando qualquer possibilidade de solução por mais que os fatos sejam favoráveis. Na verdade, não querem resolver o que incomoda, e sim continuar nesse lugar de reclamação, pois se alimentam do ganho secundário que o lugar de vítima recebe.

Para as pessoas que convivem com os mesmos a historinha já é conhecida, os familiares e amigos não têm mais paciência para tentarem ajudar, já conhecem o mecanismo de controle que atua nesse tipo de situação. Mas para os que estão chegando, pessoas das quais a vítima interage esporadicamente, a história sempre gera bons resultados pois ficam com pena, se solidarizam tentando ajudar e dar um pouco de seu tempo.

O fato não é desprezar o sofrimento real que essas pessoas sentem até porque a história de vida delas é pesada, não receberam o afeto, acolhimento e o amor que precisavam. Porém, é importante estarmos alertas para o fato que essa atitude negativa que carregam também impacta as pessoas das quais ela convive, mas isso ao contrário do que podemos imaginar, não causa culpa. Se o meu mundo é cinza o seu também precisa ser, pois somente dessa forma a pessoa poderá se sentir confortável, podendo continuar no papel da vítima ao invés de assumir a responsabilidade pelo lugar que se encontra.

Quanto mais opções nós dermos a essas pessoas de saírem da situação que se encontram, mas elas conseguem achar problemas que a impedem de tomarem uma atitude. É como se não tivessem opções e assim continuam confortáveis no mundinho que construíram em suas mentes. Digo confortáveis porque, apesar da dor que relatam sentir, a dor já é conhecida, já se habituaram a viver dessa forma.

Dizem um não para a vida e para todas as opções possíveis de olhar para sair do lugar que se encontram. Infelizmente não dão conta de olhar para tudo que construíram agindo dessa forma, a maioria nem se dá conta de que age assim, acostumaram-se a usar antidepressivos, comida, álcool, como forma de amenizar as dores e a solidão que acabam construindo para si mesmas.

A terapia ainda é a saída para mudar a realidade das pessoas negativas, o autoconhecimento, a consciência da responsabilidade de construir uma vida melhor são os principais assuntos trabalhados na busca de uma mudança de comportamento. E se em algum momento você se perceber nas linhas desse texto, quem sabe possa enxergar o buraco que está cavando e saia de dentro enquanto há tempo de mudar o curso dessa história.