Pedir ajuda pode ser um caminho maravilhoso para a cura nos momentos de dor, mas nem sempre esse é um processo fácil, muitas vezes nos recolhemos e ficamos quietinhos tentando dar conta do mar revolto que sentimos dentro de nós. O coração acelera, as lágrimas querem dar vazão à dor, mas a seguramos com medo de perdermos o controle do que sentimos e nos depararmos com o desespero.

A dor vem nos mostrar algo, ela serve como um sinalizador do caminho a ser transmutado, trabalhado e resolvido. Mesmo quando o externo nos apresenta uma situação da qual não temos controle, ao pararmos para silenciar iremos conseguir identificar qual a aprendizagem que a situação nos traz. Porém isso não significa que devemos carregar as nossas dores sozinhos, colocar nas costas as pedras que encontramos no caminho e tentar dar conta da travessia do grande oceano da vida sem ajuda.

Infelizmente a maioria das pessoas não conseguem largar a mochila de pedras que carregam e saem por aí desoladas, machucando a si mesmas e aos outros. Gritam socorro do jeito que conseguem, podem até serem agressivas na tentativa de alguém que os olhem com afeto, que entendam o seu pedido de ajuda, mas na maioria das vezes não encontram eco justamente porque não dizem o que precisam. Um círculo vicioso que vai perpetuando as dores da alma.

Uma forma de percebermos como funcionamos em relação às emoções é primeiramente nos auto-observando, como se estivéssemos nos bastidores de uma peça de teatro, assim poderemos ampliar o campo de visão e nos compreendermos além das lentes que usamos normalmente para dar nomes aos sentimentos e aos fatos da vida. Quando nos permitirmos esse olhar iremos compreender o quanto é importante compartilhar, pedir que outra pessoa nos acolha, o que irá impactar diretamente no nosso bem-estar emocional.

Somos humanos e os relacionamentos são as bases da nossa vida, são essas experiências que nos ensinam a arte da troca, e ao pedirmos ajuda nos tornamos mais fortes e corajosos do que imaginamos. Infelizmente não aprendemos a nos abrir, enxergamos esse comportamento como fraqueza e seguimos acreditando que precisamos segurar tudo sozinhos.

Talvez essa pandemia nos traga esse aprendizado, é o momento de buscarmos fortalecer o nosso eu interno, entendermos que juntos somos mais fortes e que podemos ajudar uns aos outros. Assim, seguimos encarando os desafios da vida de forma mais leve, pois atravessar um oceano não é uma brincadeira, a vida nos pede coragem de nos colocarmos vulneráveis e aprenderemos realmente a arte de nos equilibrarmos frente às tempestades.