vinho

Tem gente de todos os tipos; há os que vivem intensamente e geram um grande desconforto em outras pessoas; há os certinhos que avaliam todos os riscos e regras e os que querem ser felizes apenas.

Não cabe a mim julgar nem um dos tipos, até porque minha formação se baseia justamente na empatia, no acolhimento sem julgamento, então vou falar de mim, do que penso e quero para minha vida.

Vivo todos os dias da semana rodeada de tristeza. Pessoas que entram e saem da minha vida com suas histórias trágicas, esperando que eu possa proporcionar conforto, acolher e ajudar nas mudanças. E lá vou eu, embarcando toda semana em uma nova rota, sem saber o que virá de novo, vendo lágrimas rolarem e aprendendo acima de tudo a ser feliz no meio do caos.

Esse ano que passou reforçou em mim que estou no caminho certo, sempre busco o equilíbrio em tudo o que faço, mas me entristece muito assistir mulheres se desvalorizando pautadas na cultura de um corpo irreal. Mas vamos lá, continuar a minha história.

Eu estava feliz e bem disposta às oito horas da manhã de uma quarta-feira, com um paciente muito querido no consultório e de repente ela chegou. Quem? A dor. Uma cólica renal insuportável e em questão de minutos estava me contorcendo em desespero, nas horas seguintes estava em um hospital em uma condição lastimável e em questão de dias com um quadro de septicemia. Isso aí, quase morri por causa de uma pedra renal. Ah, antes que eu me esqueça, tomo muita água e há anos cortei os alimentos que ajudam a formar cálculos renais.

Voltando ao momento presente, quantas pessoas como eu, saudáveis, que comem bonitinho, fazem atividade física morrem de repente? Várias, não é? Então, tudo isso que estou discorrendo é só para dizer que quero ser feliz.

Claro que cada um tem um tempo, ninguém mais do que eu sabe o quanto isso é verdadeiro, mas podem me julgar, pois eu não quero e não vou deixar de agir como uma pessoa normal. Isso mesmo, essa coisa de não poder comer o que se gosta, essa neurose que é vendida hoje, não somente pelas grandes empresas antiobesidade, mas também por muitos profissionais que reforçam isso dia após dia, não dá mais.

Eu, poderia como milhares de outras pessoas saudáveis, morrer em questão de horas, sem comer o meu doce favorito, sem me lambuzar com sorvete com meus filhos, me rachar de rir com um bom vinho, tudo por que preciso contar calorias? Já sabemos por meio de muitos estudos que há muitos outros fatores que influenciam a nossa saúde que não somente a alimentação, mas sim as risadas, o bom humor, as festas, o carinho e as emoções. Quem tem bom humor fazendo dietas?

Queridos, amo comer, igual a muitas pessoas, igual a você, aos pacientes que atendo, e cuido para não cometer excessos absurdos. Busquei ter equilíbrio, mas estou cansada de ver o sofrimento de quem não entende isso, não valoriza os próprios desejos, não aceita o corpo e as formas. Quanto mais se busca o controle, mas se perde no caminho.

Eu estava às oito da manhã bem e feliz, e no momento seguinte não tinha mais nenhum controle de meu corpo e de minha vida. O que te faz achar que terá controle sobre tudo, sobre o que ingere, sobre o que deseja para ficar satisfeito?

Pare de buscar a perfeição, de dar conta de tudo à sua volta, de ingerir somente o que é dito “saudável”. Busque ser feliz, estar feliz consigo mesmo, gostar de cada parte de seu corpo, achar graça do que está fora do padrão.

Não ache que irá me encontrar sendo perfeita por aí, e posso te contar uma coisa em segredo? Eu como sim, eu me amo sim, eu sou feliz, uso biquíni, pago minhas contas e só preciso de mim para permitir ser do jeito que sou, sem precisar que me dê aval para saber se estou certa, se me enquadro na loucura do corpo ideal.

Eu quero é ser feliz e você? Até quando limitará sua vida e sua alegria nas formas e peso de um corpo?

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