Quantas vezes você já teve vontade de sair por uma porta e não voltar? De poder escolher não conviver com quem lhe faz sentir-se mal, mas fica preso a conceitos idealizados pela nossa cultura? Como manter a saúde emocional quando as pessoas com quem convive lhe fazem mais mal do que bem?

A linha que separa o eu do outro é muito tênue, sendo difícil para muitas pessoas entenderem a importância de não ultrapassá-las. Na verdade cada um se comporta dentro de suas próprias referências de vida, reproduzem em suas relações a forma com que foram tratados, um ciclo que se perpetua em muitas relações.

A questão é que muitas vezes reproduzimos comportamentos que são invasivos, julgamos como normais e não entendemos quando alguém se afasta, corta relações ou se incomoda. O que para um parece certo, para outra pessoa soa como muito errado.

Dentro do nosso círculo familiar conseguimos identificar alguns momentos em que isso ocorre. Um comentário que um tio faz sobre o peso de sua irmã, o pai que comenta algo que expõe o filho em uma reunião familiar, uma prima que faz comentários ácidos de outra prima. Tenho certeza de que se lembrou de algo parecido. Essas situações podem variar de acordo com o grau de intimidade, local e momento, sendo que quanto mais próximo for o nível da relação, mais fácil de ocorrer.

Nem sempre a intenção é ruim, mas é preciso ficar claro que não temos o direito de invadir, apontar ou expor outra pessoa, mesmo que essa seja um filho, um irmão, um amigo. Cada pessoa tem o direito de ter sua vida privativa, de ser validada em suas ações e quando houver necessidade de intervir em uma situação que seja com muito carinho e respeito. Porém, isso raramente ocorre, o que leva a situações de muita dor e insatisfação para a pessoa atingida.

Quando o grau de invasão é excessivo não restam muitas opções a não ser conversar, expor o que sente e pedir que se mude o comportamento. Nem sempre essa opção será respeitada, nesse caso o afastamento acaba sendo uma opção para se manter a paz interior e a integridade emocional. Não é saudável viver em um ambiente tóxico, aos poucos vamos morrendo por dentro, perdendo a vontade de viver, matando o amor, a admiração e o respeito pelo abusador.

É fundamental que aprendamos a nos respeitar acima de tudo, escolher ficar bem, estar ao lado de pessoas que nos tratam com carinho, com cuidado. Afinal, esse é um direito que temos, pois viver é um desafio e estar bem é o maior deles.