Menino-se-sentindo-ignorado-pela-família

O afeto dentro da nossa cultura deveria ser algo natural, filhos deveriam ser amados e acolhidos por seus pais, seus protetores. Essa é uma condição inerente a qualquer ser que seja colocado no mundo, porém nem sempre é o que vemos acontecer.

Uma vez descendo para o litoral, onde na época eu trabalhava, fui sentada ao lado de uma senhora no ônibus e ela me disse uma frase que nunca irei me esquecer, que levo a sério cada vez que olho para os meus filhos: “Nenhum pai e nenhuma mãe tem o direito de fazer os seus filhos infelizes.”

Isso bateu muito forte dentro de mim a ponto de nortear todos esses anos em que escolhi e desempenho o papel de ser mãe. Gerar um filho exige mais do que realizar um simples capricho, exige condições emocionais para que este se crie em uma família saudável e estruturada, onde receber afeto é algo natural e a proteção um fator imprescindível para um adequado desenvolvimento.

Mas ao contrário do que vemos por aí, não só nas notícias nos jornais, mas muitas vezes ao nosso lado, dentro de um shopping ou no supermercado, pais que não conseguem alcançar a necessidade de seus filhos. Não me refiro a limites certeiros que são importantes para o desenvolvimento de qualquer criança, mas não enxerga a dor, o pedido de carinho, de um aconchego.

Talvez embalados nas próprias dores da infância não têm tempo e disponibilidade de olhar para o fundo dos olhos dos filhos, para dizer eu te amo, um eu te entendo, ou dar um colo tão necessário em um momento de fragilidade.

A questão é que muitos desses pais irão precisar de um colo um dia e alguns não receberão, não porque o filho não quer dar, mas porque não aprendeu a receber. Porque os pais não podem aprender a dar amor também? Talvez nós vejamos esses filhos como pessoas ingratas que não retribuem o esforço realizado pelos pais, mas uma parte delas não conseguirá retribuir. A dor da frustração, da desilusão, do não ter recebido um carinho, pode ser o suficiente para que não consigam sentir um amor mais grato e profundo pelos mesmos.

Pais são os nossos maiores modelos, aprendemos a nos comportar, a dividir, respeitar e acolher através das experiências vividas dentro de casa, eles são responsáveis pelas situações que desempenhamos na rotina diária dos mesmos, e essas experiências ficam marcadas a ferro dentro de cada um deles.

A questão não é fazer a culpa surgir, e sim a entender que cada um carrega dentro de si um sistema de origem que nos molda de forma a passar adiante o que aprendemos, porém cada um de nós tem a responsabilidade de mudar a partir do momento que temos o conhecimento e sabemos, mesmo que a duras penas, que precisamos fazer diferente.

Então um alerta para você que tem filhos e espera um colo, ame, beije, abrace, diga eu te amo, role no chão, brinque, desenhe com eles, pequenos momentos de atenção verdadeira poderão determinar o futuro emocional de seus filhos e o seu também.