Há alguns anos eu me deparei com uma situação muito especial, olhei na internet e vi que teria uma reunião pertinho de casa, e lá fui eu sem ao menos entender direito do que se tratava, só sabia que era um grupo que buscava o despertar do amor e da paz interior através da prática do silêncio.

Eu me surpreendi ao ser recebida por pessoas muito interessantes e acolhedoras, me senti em casa. Apesar de ter assistido com eles a uma palestra, eu ainda não tinha ideia da dimensão do que tudo aquilo significava, e nem do quanto seria um caminho maravilhoso na minha vida. Uma semana depois estava com eles em um parque praticando o silêncio e convidando outras pessoas a participarem comigo.

Sentávamos um na frente do outro, fechávamos os olhos ou não, e assim ficávamos um minuto em silêncio. Para mim foi surreal estar naquele lugar com aquelas pessoas, hoje percebo que foi aí que entendi o valor de se voltar para dentro, do autoacolhimento e da importância de me conectar com a minha real essência. Agarrei-me nesse grupo pois algo me instigava a continuar, e assim fui construindo um novo caminho para a minha vida.

O trabalho do silêncio ou da meditação, podemos dar o nome que achamos melhor para essa prática, nos proporciona uma aprendizagem muito maior do que imaginamos, por isso vou falar agora sobre o quanto um minuto de silêncio impacta em vários aspectos da nossa experiência na Terra e em sociedade.

Transitamos pela vida de acordo com as aprendizagens que fomos adquirindo desde pequeninos, vamos modelando o comportamento das pessoas com as quais convivemos, situações que nos impactam, e assim formamos a nossa personalidade, o nosso jeitão de ser. E a partir desse ponto levamos para a vida a nossa bagagem de aprendizados, nos metemos em diversas encrencas e dificuldades, por não conseguirmos enxergar fora da nossa caixinha.

Essa bagagem nos faz acreditar que tudo deve caminhar a nosso modo, que seja feito do nosso desejo, o controle aparece como sendo a função primordial para a sustentação do nosso bem-estar. Se controlo, estou feliz, se não controlo, fico ansioso, o medo toma conta, o pânico aparece.

E é nesses momentos que os pensamentos entram em ação, se não estivermos atentos, eles irão determinar a nossa vida. Parece mentira, mas garanto que não é. Não somos os nossos pensamentos, mas podemos nos confundir com eles, e frequentemente o fazemos. Deixamos com que eles se tornem verdades, guiem a nossa vida, até porque interpretamos tudo que acontece em nosso entorno através deles. Mas será que isso é seguro?

Algo que sempre trabalho com os meus pacientes é a necessidade de se desidentificar com os pensamentos lembrando que a partir do momento que escolhe acreditar em algum deles, isso se torna real para você. Um bom exemplo é quando lemos uma mensagem de texto, podemos dar voz à mesma e concluir se a pessoa foi grossa, antipática, querida ou educada. A distorção ocorre, pois, projetamos no outro o nosso mundo interno, as nossas guerras e dores que estão dentro do nosso sistema. Mesmo em uma situação em que realmente alguém foi grosseiro, é importante lembrar que a pessoa está manifestando o que ela é, não tem nada a ver com você que serviu somente como alvo em um momento de estresse.

Por isso o título fala em energia, pois seguramos determinadas situações de forma tão ferrenha que nos faz despender muito tempo. Classificamos como verdadeiro algo que se ficamos martelando na cabeça só estaremos alimentando o estresse interno, o que não nos traz benefícios, pois ao invés de focarmos no momento presente, perdemos tempo com conversas mentais, ruídos da mente.

Através da minha experiência no grupo que comecei a participar eu fui entendendo o poder de silenciar a mente, de parar, de fechar os olhos e me conectar com o meu silêncio interno. Quanto mais a pratico mais consigo diferenciar o que é meu, minhas vivências, minhas dores, meu julgamento equivocado, e o que é do outro, que por algum motivo, direcionou a mim. Quando me livro do ato de julgar tudo o que ocorre ao meu redor, libero a mim mesma de sofrer, de ficar ruminando situações desagradáveis, de manter raiva e ressentimento em meu sistema.

Por isso ser feliz e viver bem é uma escolha que talvez seja muito desafiadora para muitas pessoas, porém práticas simples de respiração e de presença aliadas com o processo de autoconhecimento, você pode sim dar uma basta nessa mente que jorra milhões de pensamentos disfuncionais que interferem diretamente na sua qualidade de vida.