Desde muito cedo vamos sendo expostos às expectativas de outras pessoas, nossos pais quando receberam o teste positivo de gravidez já começaram a imaginar como seríamos, começando pelo sexo, cor de cabelos, olhos e comportamento. Depois já grandinhos vamos sendo moldados pelas vontades deles, pois como pais temos vários valores que achamos importantes, que aprendemos com a nossa família e no decorrer da nossa vida.

Quando ainda éramos crianças, fomos nos moldando de acordo com o que era esperado de nós, e nesse momento fomos aprendendo a esperar alguns comportamentos de quem vivia ao nosso redor, sejam dos familiares, dos colegas de escola, professores, etc. Ora, se os outros querem que façamos algumas coisas, nós também queremos que os outros façam por nós, concordam? E é nesse processo que aprendemos a criar expectativas a respeito das pessoas dos quais convivemos.

Talvez as expectativas tenham algo bom a acrescentar, mas eu penso que na grande maioria das vezes só nos frustramos, afinal projetamos no outro algo que vem da nossa mente, de nossos desejos, e na maioria das vezes isso provém de necessidades internas que temos. Um exemplo disso se dá na área dos relacionamentos, não importa se é em uma relação de amizade, amorosa ou profissional, estamos o tempo todo esperando algo do outro.

Ao estabelecermos um relacionamento com alguém começamos a projetar muitas de nossas necessidades, como, por exemplo, a nossa carência por afeto. O outro também passa pelo mesmo processo, também irá projetar aquilo que está em falta nele em nós, ou seja, normalmente as suas carências que não necessariamente são as mesmas que as nossas. Agora tudo se complica, pois são duas pessoas com bagagens diferentes que começam a se relacionar.

O conflito começa a se estabelecer justamente quando não percebemos que esse movimento nos remete à carência de afeto que carregamos de nossos pais, e que passamos a buscar em todo tipo de relação com as pessoas das quais interagimos. Um aspecto importante a ser destacado é que na maioria das vezes o outro não está disponível a ocupar esse lugar, e na maioria das vezes não temos uma percepção clara de que essas necessidades precisam ser curadas em nós. É preciso se dispor a olhar para as dores que carregamos, acolher a nossa criança interna e entender com o coração, e não com a cabeça, de que agora é cada um por si mesmo. O outro não tem dever algum de responder as nossas expectativas, cada um tem suas próprias necessidades e também tem questões a serem curadas e resolvidas.

Quando entramos nesse círculo vicioso de esperar que as pessoas ao nosso redor entendam nossas dores, respondam as nossas demandas, estabelecemos relacionamentos tóxicos, pois para dar certo um teria que se submeter ao desejo do outro, e assim anulando a si mesmo. Como ser feliz em uma situação do qual aniquilamos a outra parte? Têm muitas pessoas que vivem essa situação, algumas conseguem se desvencilhar em algum momento, outras se submetem a viver apagadas, abrindo mão dos próprios desejos para responder a algo que não lhe traz alegria.

A questão aqui é o quanto está consciente dessa dinâmica, de como se relaciona com outras pessoas, o que projeta e espera delas. A partir desse olhar mais apurado a respeito de como você funciona é possível conter as expectativas irreais e trabalhar em si mesmo os aspectos que estão em aberto para serem compreendidos e curados, pois a partir desse momento você abrirá as portas para estabelecer relacionamentos mais saudáveis e, possivelmente, mais duradouros.