Quem nunca se pegou sorrindo quando alguém que conhecemos se deu mal em alguma coisa? Todos nós temos aspectos de luz e sombra, vivemos em um mundo de dualidades em que o bem e o mal vivem em constante guerra de forças. A história da humanidade nos mostra esses aspectos de forma bem clara nos relatos bíblicos, aprendemos desde cedo que precisamos ser boas pessoas e que o mal deve ser eliminado.

Apesar de todos os esforços para alcançarmos esse estado de iluminação, carregamos muitas características de personalidade que nem sempre são agradáveis, mas que em maior ou menor grau podem gerar muitos problemas e mal-estar entre as pessoas com as quais convivemos. Basta pensar um pouquinho e logo conseguiremos lembrar de situações em que fomos desagradáveis mesmo que inconscientemente, ou que fomos alvo da ira de alguém que se encontrava em um estado de desequilíbrio emocional. Lembrou?

E está tudo bem, somos seres humanos e estamos vivendo uma experiência terrena bem desafiadora, afinal nascemos e estamos jogando o jogo da vida sem manual ou mesmo experiência prévia. Vamos aprendendo com os nossos erros e acertos, modelando pessoas que admiramos e tentando nos sair o melhor possível dessa prova chamada vida.

O problema começa quando não temos instrumentos internos para mudar comportamentos que promovem conflitos e tristeza, como é o caso da personalidade perversa. Neste caso não se consegue sustentar toda a frustração contida, aí começa destilar suas infelicidades em pessoas das quais não têm nenhuma responsabilidade por seu estado emocional. O estrago é muito grande, ainda mais quando a mesma convive com pessoas sensíveis e passivas, sendo o ambiente ideal para atuar.

É preciso ficar claro que somos produtos de outros produtos, isto é, somos vítimas de outras vítimas, pois não escolhemos onde nascemos, nem as situações em que somos expostos e que vão moldando a nossa personalidade. Porém, quando percebemos que estamos destruindo as nossas relações porque não damos conta de vivermos em harmonia, é preciso entender como esse funcionamento interno está disfuncional.

Quando fomos muito machucados, negligenciados, desvalidados, temos a tendência a repetir o mesmo processo em nossos relacionamentos, mesmo que de forma inconsciente, é como se eu não fui feliz você também não pode ser. É muito fácil dizer que somos de uma determinada forma e que as pessoas precisam aprender a lidar com esse fato, mas sabemos que não é bem assim que funciona.

Nem todas as pessoas que são expostas a situações negativas irão seguir o mesmo script, cada um absorve as dificuldades a que foram expostas de uma determinada forma, então não podemos nivelar a nossa vivência com a de outras pessoas, mas podemos ter outro entendimento sobre a mesma.

E é nesse momento que vamos entendendo como funcionamos, o quanto estamos causando conflitos e a partir dessa consciência começamos a nos acolher para aprender a nos cuidar. Quando brigamos com os fatos e os negamos não há crescimento, mas quando os aceitamos, abrimos espaço para buscar ajuda. É preciso estar claro que o fato de não termos tido a chance de viver uma vida mais ajustada, não nos exime de nossa responsabilidade de buscar mudar o que está disfuncional.