Esses dias eu ouvi uma frase durante uma mentoria que me fez pensar muito no quanto seria importante escrever sobre os amortecedores emocionais. A questão abordada era sobre as pessoas que não gostam dos seus trabalhos, que aguardam o fim de semana para se afundarem em amortecedores emocionais, e depois na segunda-feira se arrastam para conseguirem energia para iniciarem a semana.

Sempre escrevo sobre os amortecedores emocionais que nos levam a comer em excesso, pois sabemos o quanto esse desequilíbrio causa diversos transtornos, a obesidade é um deles. Mas podemos usar diversos meios de aplacar as nossas dores emocionais fora a comida como: alcoolismo, sexo, cigarro, internet e outros. Isso ocorre quando não conseguimos lidar com as nossas insatisfações de forma adequada e vamos escondendo debaixo do tapete o que não queremos olhar.

Realmente preciso concordar que não é agradável o confronto com as nossas fragilidades, pois esse movimento nos chama para sair da zona de conforto, para tomarmos atitudes que nos tirem da insatisfação que sentimos. Porém toda decisão envolve mudança de atitude, e muitas vezes falta acreditar que é possível recomeçar, mesmo que as pessoas nos incentivem. São muitos os motivos que podem nos prender a um trabalho insatisfatório, muitas vezes fomos educados para assumir o ramo de trabalho da família, ou incentivados a fazer um concurso para ter segurança. Já atendi casos de pessoas que tinham uma excelente remuneração, porém iam para o trabalho todos os dias chorando porque tinham a sensação de cada dia ser como um estupro emocional.

Só que é importante deixar claro que quando nos permitimos permanecer nesse lugar, sofreremos consequências que podem nos levar ao desenvolvimento de várias doenças de ordem emocionais e físicas. Os diversos amortecedores emocionais que utilizamos só nos afastam de nós mesmos, vamos maquiando as insatisfações para não encará-las. Desta forma, penso que é importante refletir sobre o assunto de forma mais cuidadosa se fazendo essas seguintes perguntas:

– Estou satisfeito com a pessoa que eu sou hoje?

– O que eu faço para me sentir mais feliz e motivado?

– O que tenho feito para melhorar a minha vida profissional?

– Eu cuido do meu corpo e da minha saúde?

– Como é para mim, lidar com os meus erros e assumir as minhas dificuldades?

– Posso assumir as minhas fragilidades e assim mesmo me sentir forte?

Infelizmente algumas pessoas não têm coragem de olhar para si mesmas, de encarar as limitações para ajustá-las, afinal todos nós temos falhas, a perfeição é uma meta irreal. Ao entendermos e aceitarmos nossas limitações nos abrimos para aprender o novo, nos fortalecemos e assim nos instrumentalizamos para olharmos para novas possibilidades. Dizer sim para si mesmo e para a vida requer coragem, talvez seja a hora de encarar os monstros que acreditamos existir em nossas mentes para percebermos que nós mesmos os alimentamos.