Será que alguma vez você parou para escrever em um papel todas as oportunidades que perdeu ao longo da sua vida? Pois é, esse é um exercício poderoso, pois quando colocamos no papel fica concreto e conseguimos visualizar com mais clareza o que fizemos durante o nosso percurso até aqui.

Normalmente o nosso foco é projetar fora o que não deu certo para nós, raramente paramos para avaliar profundamente se temos um dedinho podre nessa história, pois é mais fácil colocar a responsabilidade pelos nossos fracassos fora de nós, em pessoas e situações.

Isto porque não é fácil assumirmos a responsabilidade por nossas escolhas, muitas vezes a preguiça toma conta e vamos empurrando com a barriga vários projetos e oportunidades. Mas tem quem diga que não tem nada a ver com a preguiça, porque é um verdadeiro fazedor de coisas, então vamos ver isso mais de perto. Você faz muitas coisas na direção do sucesso ou se perde em mil outras atividades que lhe distraem da verdadeira necessidade?

Quantas vezes você reclama que precisa melhorar de vida, ganhar mais dinheiro, mas não tem energia para fazer acontecer? Pode ser que tenha ideias maravilhosas, mas nunca saem do papel, ficam no plano mental. Ou recebe a oportunidade nas mãos, mas acaba relaxando na execução das tarefas, não cumpre prazos, não busca se aperfeiçoar, porque mudar e assumir novos riscos envolve sair da zona de conforto.

Há muitos fatores que podem estar relacionados com a autossabotagem, isto é, criamos empecilhos para que determinada situação não dê certo, e identificar cada um deles em um texto é impossível pois cada pessoa constrói uma história. Mas podemos tentar entender a parte que te cabe nos baseando nas crenças que fomos adquirindo desde que nascemos.

As crenças podem ser entendidas como pensamentos que se tornaram verdades para você, e assim vai interagindo com a vida de acordo com as mesmas que na maioria das vezes são inconscientes. Essas crenças passaram a fazer parte da nossa vida de tanto que ouvimos nossos pais as repetirem, um exemplo é quando você ouve desde pequeno que dinheiro é sacrifício, e passa a vida sofrendo para ganhá-lo. É como se precisasse ser fiel a um ensinamento recebido, fazemos uma aliança inconsciente com a família. Também é certo que não são todas as pessoas a sofrerem essa influência, mas se para você a coisa anda travada, então é hora de olhar com bastante honestidade para o que vem fazendo com a sua vida, com você mesmo.

Antes da pandemia recebi um convite para palestrar em uma grande empresa na região de São Paulo, mas para mim seria bem complicado naquele momento então optei por não aceitar e indiquei outros profissionais de minha confiança e até mais habilitados para o tema proposto. Por isso é importante estar consciente das crenças, nesse caso eu sabia que estava abrindo mão de uma oportunidade de forma consciente e não sendo levada pela autossabotagem, usei o meu poder de escolha e mantive o meu compromisso de atender os meus pacientes na data da palestra. Isso não interferiu na minha vida profissional porque estou bem estruturada nessa área, mas caso contrário seria uma oportunidade perdida.

Agora o meu convite é para você avaliar com bastante critério o que tem feito das oportunidades que tem surgido, quais os movimentos que faz que te leva a cair sempre no mesmo erro de permanecer no lugar de sofrimento e insatisfação profissional. Coloque no papel como se fosse uma linha do tempo, desde o primeiro emprego todas as oportunidades que surgiram até o momento presente e verifique o seu padrão de comportamento em todas as situações.

Quando fazemos essa avaliação com mais critério conseguimos entender os mecanismos repetitivos e podemos assim modificar comportamentos. Caso esse processo seja muito desafiador para fazer sozinho, te oriento a buscar um profissional habilitado para te ajudar nessa transição, mas te deixo um importante recado, a única pessoa que é capaz de mudar isso é você mesmo, então corra atrás do que é seu.