Fico incomodada com o uso de algumas palavras que têm sido utilizadas em alguns textos sobre os problemas que as próteses de silicone provocam, sinto que a palavra tendência é uma delas. Como falei anteriormente em outro texto, o explante de silicone não é modinha, nenhuma mulher que um dia recorreu a próteses de silicone para se sentir mais bonita imaginou que um dia ficaria cheia de cicatrizes, não somente na pele, mas na alma.

A Doença do Silicone e a Síndrome Ásia levam milhares de mulheres a um estado de saúde que compromete a qualidade de vida. São muitos relatos e estão nas redes sociais para qualquer um que não acredite possa se informar, acompanhar e, inclusive, conversar com quem está passando por esse processo, você irá encontrar diversas postagens, vídeos, lives e matérias, não há como negar o que todos os relatos têm em comum. O fato é que logo que acordamos da cirurgia do explante já sentimos a diferença, umas acordam mais dispostas, outras respirando bem como há anos não conseguiam, nos sentimos leves, vivas, uma experiência que ouço diariamente das pessoas que me procuram para conversar sobre o que sentem. No decorrer dos dias as mudanças são incríveis, vamos identificando diversas melhoras e recuperamos aos poucos a vitalidade perdida durante os anos com as próteses de mama.

Já sabemos que existem vários casos de linfoma BIA-ALCL, o que antes imaginávamos ser algo raro tem aparecido em relatos de mulheres que acreditavam estar com um dispositivo seguro dentro de seus corpos. O que não sabemos é se esses casos estão sendo devidamente notificados, qual o protocolo em relação aos dados encontrados em exames clínicos e cirurgias.

A questão é que o implante de silicone não é seguro, e em setembro de 2020 o FDA (Food and Drug Administration – Agência Federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos) recomendou que as caixas de próteses de silicone venham com uma tarja preta com as informações sobre os riscos da utilização dos implantes. É importante que fique claro que a FDA só fez essa solicitação por terem dados comprobatórios dos riscos reais das mesmas, o que já elimina de cara o termo modinha que vem sendo utilizado em vários textos sobre o assunto.

Não somos militantes, somos mulheres reais buscando saúde, queremos resgatar a nossa vida que ficou pausada no momento em que os sintomas começaram a nos impactar. A troca que estabelecemos com outras mulheres nos mostra o poder da empatia, da generosidade, do quanto precisamos sim cuidar uma da outra, um movimento que parte do coração, e não do ódio. Somos obrigadas a nos acolhermos porque não encontramos quem nos ouvisse, praticamente toda mulher que passou pelo explante teve uma experiência ruim quando pediu ajuda, quando solicitou o desejo de tirar as próteses.

Sinto que todos esses movimentos que estão ocorrendo é uma amostra do quanto estamos desconectados do que realmente é importante, talvez seja o momento de questionarmos os nossos verdadeiros valores. Meu chamado é para que possamos criar uma realidade melhor, quem sabe todo esse movimento em torno do explante das próteses de silicone também esteja a serviço de nos acordar para o verdadeiro valor da vida.