O primeiro filho ao chegar já terá a árdua tarefa de carregar uma mala de expectativas que foram criadas antes mesmo dele poder começar a se expressar no mundo.  Ele se torna o centro da família e recebe toda a atenção possível até que um irmãozinho surja no caminho. Mas enquanto isso não acontece, ele é o príncipe, ou a princesa, da casa, o alvo de todo amor e cuidado dos pais, o que de alguma forma é importante, mas que em algum momento pode ser tornar um grande problema.

Vemos o quanto é comum o primogênito sentir-se na obrigação de fazer tudo perfeito, até porque esse comportamento é reforçado a cada fala de seus pais para os outros membros da família e amigos. Elogiam tudo o que a criança faz, o que pode levá-la a pensar que só será amada cumprindo todas as obrigações que são esperadas dela, fazendo tudo sempre certo.

Posso dizer que como psicóloga e mãe também cometi erros, fiquei tão deslumbrada com meu primeiro filho que muitas vezes não percebi o peso das minhas expectativas, mas à medida que fui percebendo o quanto ele era bonzinho demais e deixava os amigos o morderem sem reagir, o sinal de alerta soou em minha cabeça. Tratei de mudar o meu comportamento e ficar atenta a qualquer sinal exagerado da minha parte de exaltar os seus feitos. Encontrar a medida certa é um desafio, somos imperfeitos por natureza, mas é importante buscar o equilíbrio sempre que possível.

Outro aspecto importante a ser considerado quando chega um irmãozinho é que o mais velho muitas vezes acaba sendo colocado de lado, a mãe acaba se dedicando ao bebê e esquece de que seu primogênito é uma criança que não tem ainda o entendimento da necessidade dela dar mais atenção ao bebê. É importante que a mãe e o pai se revezem para que o mais velho receba carinho e tenha momentos com a mãe, assim fortalecemos o vínculo entre os irmãos já que o mais velho não se sente preterido.

Essa é uma queixa comum em consultório, filhos mais velhos carregando ressentimentos por terem sido excluídos, antes eram os príncipes da casa e de repente não são mais vistos. Além disso, acabam recebendo a culpa por tudo que ocorre de errado, como se fossem responsáveis pelo bebê que cai, quebra algo ou chora. Os filhos não devem assumir essa responsabilidade, ainda mais quando ainda são pequenos e também precisam do cuidado dos pais.

Por serem os filhos mais velhos irão ser os primeiros a experimentarem o mundo fora de casa, vão passar pelo desafio de irem bem na escola, de fazerem amigos e de não arrumarem brigas. Normalmente os pais acabam sendo muito rígidos, exigem que sejam perfeitos, ao menor erro já são repreendidos. É frequente se queixarem quando são adultos que receberam mais punições e restrições do que os irmãos mais novos.

Todos os filhos irão passar por diversos desafios independente da posição que nasceram, os pais sempre precisarão estar atentos para que possam manejar as diferenças com muito cuidado e amor, respeitando que cada um terá um jeitão de ser. É sempre mais fácil lidar com o filho mais amoroso e mais obediente, mas lembrando que os filhos que mais nos desafiam são os nossos melhores professores. Como pais, precisamos ser desafiados para que possamos estar conscientes de que eles precisam de amor, de limites adequados, de cuidado e principalmente de nosso colo, independente da idade. Quando estamos abertos e receptivos sem a necessidade de dar sermão e julgar os filhos, conseguimos estabelecer um relacionamento de respeito e amor, o que seguramente impactará de forma positiva em todas as relações que nossos filhos estabelecerem na vida.