Esquecemos de quem somos e nos comportamos de acordo com as expectativas que o parceiro criou para nós, e isso é muito complexo pois somos seres únicos, cada qual com uma personalidade, com um jeitão especial de ser.

Casamo-nos e vamos nos adequando aos desejos do parceiro, as regras de família, estamos ansiosos para sermos a pessoa ideal. Muitas vezes esse processo vai ocorrendo tão sutilmente, ou melhor, tão inconscientemente que não percebemos, mas é claro que tem pessoas que estão mais ligadas, percebem o que estão fazendo, mas ignoram a gravidade desse comportamento a longo prazo.

Vamos colocando a nossa energia para fazer dar certo o relacionamento, principalmente quando temos filhos, pois a carga fica ainda maior, a pressão dos familiares acaba pesando e aos poucos não nos reconhecemos, não sabemos quem somos, do que gostamos e queremos para a vida.

Todo esse contexto vai minando o nosso ser, deixamos de querer, entramos no modo automático e apenas seguimos scripts. Algo vai mudando dentro de nós, vamos secando e, consequentemente, começamos a adoecer. O corpo grita por socorro através de enxaquecas, dores no estômago, perda do desejo sexual, apatia, depressão, obesidade, etc.

E em algum momento fazemos uma escolha, nós nos entupimos de comida, de cigarro, álcool ou de trabalho para não enfrentarmos a realidade, ou acordamos e iniciamos uma nova jornada, dessa vez para descobrir quem somos. Esse processo pode ser um tanto delicado, visto que as opções citadas implicam em escolhas difíceis, pois causarão desconfortos.

Quando decidimos romper com os padrões limitantes que nos encontramos iremos nos deparar com vários desafios, um deles é descobrir quem somos de verdade, o que gostamos de fazer, quais os nossos sonhos. Sim, não é um processo fácil, vamos sair da zona de conforto e se jogar para a vida.

Como já escrevi anteriormente, somos mais do que um RG, somos um ser e nem sempre é fácil entender o que isso significa. O que nos conecta com a nossa essência? Quais os nossos sonhos, nossa missão? Apesar de tudo isso sugerir um grande trabalho, e muitas vezes é mesmo, aventurar-se em busca de nossa identidade pode ser fascinante, além de poder recomeçar a vida mais alinhado com a sua verdade.

Tudo isso pode acontecer dentro de um relacionamento e se houver maturidade de ambos os parceiros será lindo, mas infelizmente a maioria decide por romper e buscar outros caminhos. Não há certo ou errado, cada pessoa irá optar pelo caminho que for possível, dentro de suas necessidades individuais.

O mais importante é que possamos nos relacionar estando mais conscientes de que precisamos nos validar, e assim colocarmos em prática o que faz sentido para nós, que preencha o coração, pois viver a vida e os sonhos do outro não é o caminho mais assertivo para a felicidade.