Todo romance envolve muito desejo de ficar junto, com o tempo nos unimos com a pessoa escolhida e passamos a colocar em prática tudo o que aprendemos sobre convivência a dois, mas nem sempre esse relacionamento será para a vida toda.

Viver ao lado de alguém é um grande desafio a ser enfrentado diariamente. Pode ser que os apaixonados não enxerguem dessa forma, mas a verdade é que a construção do relacionamento se dá diariamente, a cada palavra proferida, gesto, olhares e comportamentos.

Uma coisa é você dizer que ama e outra é acolher as diferenças e as dificuldades que irão surgindo pelo caminho, e acredite, são muitas. Por mais que exista harmonia, tranquilidade e doçura nas palavras, não há como escapar de desafios que surgem durante a jornada a dois, mesmo que não estejam ligadas diretamente com o casal em si, mas com os acontecimentos entorno dos mesmos.

Muitos casais permanecem unidos e seguem a jornada até que a morte os separe. Outros ficam no casamento por medo, comodidade, conceitos religiosos, pelos filhos, enfim, mesmo infelizes. Mas há os que não dão conta de ficar, por diversas razões e, acredite, quem ama também pede a separação.

Quando pensamos na palavra separação logo deduzimos que uma das partes deixou de amar o parceiro, porém isso pode não ser verdade. O fato é que o amor em si é leve, um sentimento que nos faz ficar somente quando há reciprocidade, todo o resto, não é amor.

A grande maioria das pessoas idealiza esse sentimento, acreditam que amar também é aguentar maltrato, indiferença, frieza, traição e agressões diversas. Isso tudo é falta de amor por si mesmo, de autoestima, falta de condições internas emocionais de sair em busca de um companheiro que realmente pode dar afeto, acolher e respeitar.

Talvez para algumas pessoas possa não fazer sentido o que disse acima, muitas pessoas, principalmente as mais rígidas, ainda hoje interpretam o amor de forma distorcida, onde o outro está a sua disposição, independente de suas atitudes. Um casamento de alma que deverá seguir adiante até que a morte real os separem.

Desta forma fica claro que esse sentimento que achamos que é a representação do amor tenha várias interpretações, todas irão se diferenciar de acordo com as referências de vida que cada pessoa tem.

Mas a realidade é que apesar de todas essas diferenças, cada um irá sentir de uma forma, distorcida ou não, formarão famílias, construirão vínculos e viverão a experiência de uma vida a dois. E em algum momento, cansado de sofrer, de não ser ouvido, acolhido, respeitado, um dos parceiros, mesmo amando muito a pessoa que escolheu para viver junto, irá pedir a separação.

O amor por si só nem sempre é o ingrediente básico que sustentará a relação a dois, e é nesse momento em que alguém se dá conta de que é melhor iniciar um novo ciclo e o que a faz seguir adiante é o amor por si mesmo. É o eu mereço um recomeço, poder sentir-se livre com o que pensa, faz e sente.

Aos poucos tudo vai se assentando, o coração vai se curando e abrem-se novas perspectivas. Outras pessoas podem optar por viverem sozinhas, mas o importante é estarem bem consigo mesmas, com as novas escolhas, sem a dor ou o estresse que vivia no relacionamento anterior.

Nem sempre o amor é o suficiente para ficar com alguém e entender que cada um é responsável pela construção de um relacionamento sólido, é o que possibilita que cada um reflita sobre seus comportamentos e se disponha a fazer o seu possível para que o outro se sinta satisfeito ao seu lado.