Agimos a partir do medo, estamos sempre tentando nos proteger de algo e nem percebemos que as nossas ações têm como pano de fundo tentar evitar que o sofrimento se repita. Em algum momento fomos machucados, talvez nem tenha sido uma violência física explícita, muitas vezes é a sensação de que não fomos acolhidos, respeitados, não recebemos os cuidados básicos que toda criança necessita para sentir-se segura e feliz. A criança ferida tem um buraco dentro dela, não conseguiu adquirir ferramentas necessárias para transitar pela vida com mais segurança, sendo assim ela vai crescendo e se relacionando com as pessoas a partir dessa marca inicial.

É importante que possamos compreender como essa engrenagem inicial irá impactar no todo, pois seguimos em frente criando uma série de armaduras que visam nos proteger, mas esse constante estado de defesa promove um grande desgaste físico e emocional. O estresse vai sendo gerado por nós mesmos quando alimentamos pensamentos ruins e negativos, quando olhamos para o mundo como uma ameaça constante.

O processo de desidentificação com esse eu sofredor marcado pelas experiências da vida demandam um trabalho profundo de ressignificação interna, pois quando nascemos recebemos um nome, vamos assimilando os conceitos religiosos dos pais, aprendendo a se alimentar de acordo com os gostos da família, e assim vamos sendo moldados na construção da nossa identidade. Porém esse processo em algum momento vai sendo quebrado, alguém vai questionar a nossa forma de pensar, vamos entendendo que cada pessoa que conhecemos tem valores e comportamentos diferentes dos nossos, e aos poucos vamos desconstruindo conceitos e crenças a respeito de quem somos e o que queremos.

O início do despertar irá trazer diversos incômodos, vamos sendo chamados para sairmos da zona de conforto e encararmos um jeito novo de transitar pela vida, mas nem todos estarão preparados para isso. Nesse momento começamos a sentir os sinais de ansiedade, do desencaixe, uma necessidade urgente de mudar, de encontrar um sentido mais profundo no que fazemos. Mas não se assuste, nada disso é ruim apesar de aparentar ser, na verdade, é a partir desses incômodos que iremos buscar um novo sentido para a vida e assim ressignificar toda a dor acumulada em nosso sistema.

Afinal, a vida é tão linda, há tanta abundância fora e dentro de nós, então não podemos permitir que a nossa bagagem continue a pesar em nossas costas, e sim devemos buscar meios de largar as inúmeras estratégias de defesa que utilizamos para nos entregarmos por inteiro a essa experiência que chamamos de vida.