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Nem sempre entendemos muito bem as situações que passamos em nosso dia a dia, mas com esclarecimento e psicoterapia, vamos nos dando conta de que ser saudável pode custar muito, inclusive o afastamento das pessoas que amamos.

Como estamos o tempo todo muito envolvidos dentro de uma dinâmica familiar, dificilmente nos damos conta de como alguns comportamentos e atitudes estão a serviço de um propósito maior, como o de manter os filhos dependentes.

O que se enxerga são pais preocupados que justificam seus atos por amor ou excesso de preocupação, porém por trás desse dito amor há um desejo de manter o controle sobre os filhos, mesmo que os afetem futuramente. Esse comportamento de controle impede que os filhos sigam suas vidas de forma mais independente, fazendo escolhas, errando em alguns momentos e acertando em outros, proporcionando a base de aprendizagem para um indivíduo saudável.

Apesar de ficarem tristes com o fato de que os mesmos possam ser malsucedidos, há sempre ganhos secundários, pois desta forma os pais se mantêm como o pilar de sustentação, controlando-os, mesmo já sendo adultos.

Como essa dinâmica está instalada e na maioria das vezes não se identifica com clareza, muitos filhos apresentam comportamentos autossabotadores, e sempre que tenta algo diferente este não prospera, sempre há inúmeros obstáculos, falta energia e determinação em persistir.  Um círculo vicioso que se retroalimenta, onde tudo se completa, a necessidade de cuidar dos pais e o desejo dos filhos em continuarem sendo cuidados.

Como não há regra fixa para seguir, cada pessoa faz uma escolha, mesmo quando se tem a consciência do quanto essa dependência faz mal, muitos filhos optam por permanecer nesse contexto familiar, até porque mudar exige limite, se colocar como pessoa, manter e lutar por um lugar diferenciado.

Se sacrificar também pode ser um ato de amor, cada um tem sua própria definição do real significado desse sentimento, além de interpretar a situação pelo viés que lhe é mais conveniente.

Esconder o que não está bacana por baixo do tapete pode ser uma saída, mantendo assim a opção de poupar os pais e de abandonar os próprios desejos. Ser feliz é uma escolha que demanda atitudes e nem sempre elas irão agradar a todos.