Sempre digo que a felicidade é uma construção diária, continuo acreditando nisso. Nascemos com o riso solto, o choro espontâneo, somos íntegros, fiéis com os nossos sentimentos e desejos. Mas aos poucos vamos sendo moldados de acordo com o que esperam de nós, vamos deixando de lado o que temos de mais sagrado para nos tornarmos adestrados.

Temos que comer de boca fechada, as meninas irão gostar de boneca, beijaremos todos os parentes nas festas de família, os guris farão xixi em pé igual homens machos fazem, seremos obedientes, mesmo que as ordens impostas não façam sentido para nós. Se recusamos fazer algo solicitado, logo vem a palmada, o castigo e os rótulos que nos classificam em bons ou maus filhos.

Em pouco tempo já não seremos tão alegres como antes, ficaremos confusos entre o que sentimos ser verdadeiro dentro de nós e o que o externo nos exige. Seguimos a vida acreditando que temos que conquistar mais rótulos, quanto mais, melhor. Ficamos felizes quando alguém nos diz que somos bonzinhos, queridos, educados, e alguns de nós passarão a vida toda reproduzindo essas máscaras na tentativa de ser validado pelo outro, pois agora o maior desafio é que não devemos mais conquistar e ser amados só pelos nossos pais, e sim, aceitos pela sociedade em que vivemos.

Muitas vezes somos cobrados para termos iniciativa na vida adulta, mas não sabemos nem como fazer isso, já que todas as iniciativas da infância e adolescência foram duramente criticadas. São poucos os que rompem com os padrões e se livram desses condicionamentos que estão tão enraizados. Nós nos transformamos no que o outro queria, no que achavam certo, mas o que queremos afinal? O que achamos correto? O que gostaríamos de fazer que nunca foi permitido?

Quando a dor de não ser quem gostaríamos e a insatisfação for grande demais para carregar, talvez aí nesse momento possamos dar um basta e sair da embalagem que estamos envolvidos. A liberdade de escolher o que se quer fazer é muito difícil, visto que a cobranças podem chegar de qualquer lugar, até daqueles que não fazem parte de nossa vida. E é nesse momento que estaremos sendo colocados em prova, que seremos testados em nosso desejo de sermos leais às nossas origens ou se podemos seguir em frente honrando a família, porém deixando a nossa essência real se manifestar. Fazer valer os nossos desejos, dar gargalhadas de alegria, usar a combinação de roupas que nos sentimos bem, escolher a profissão que nos toca o coração e até viver sem ter um parceiro, pois ninguém precisa seguir o script de casar e ter filhos para ser feliz.

A proximidade da virada do ano nos traz momentos de muita reflexão, o tempo está passando e sentimos a necessidade de mudar, de fazer diferente, de largar as amarras que nos prendem e nos impedem de ter liberdade, de sermos quem queremos ser. Aproveite esse momento e faça uma retrospectiva de sua vida, olhe com carinho para o que sente, para os seus reais desejos e busque, planeje e coloque em ação nesse novo ano que se inicia.

Ser feliz é ter liberdade de ser, de escolher, de fazer o que está de acordo com o coração. É sentir que se permite, deixando crenças e condicionamentos para trás e seguindo confiando e vivendo o presente momento.

Espero te encontrar mais feliz em 2019.

Feliz novo ano, feliz recomeço.