O mês de março ficará marcado na vida de muitas mulheres, perdemos mais uma rosa. Uma bela mulher que tinha uma vida comum, como a minha, como a sua, mas que carregava a dor de ter mamas grandes e pesadas. Essa mulher passou anos querendo fazer uma cirurgia para diminuir o tamanho dos seus peitos para se livrar da dor nas costas que a incomodava. Eu sei bem como é essa dor, pois quando optei por trocar as próteses de mamas que havia colocado no início da minha vida adulta, o meu cirurgião decidiu colocar o tamanho que ele achou interessante, e não o que eu queria . Carreguei por anos muitas dores no pescoço e nas costas, e sei o quanto isso impactou na minha qualidade de vida.

Muitas mulheres que conhecemos sentem essas dores desde que os seus corpos se transformaram na adolescência, infelizmente não podemos usar o photoshop para desenhar em nós o corpo dos sonhos. Simplesmente nascemos com uma genética estabelecida e assim vamos desabrochando e logo nos transformamos, com quadris, glúteos e mamas, mais, ou menos avantajados.

E a Rosa, ela foi uma dessas lindas mulheres que tinha uma mama grande e juntou dinheiro para diminuí-las. Chegou o momento de realizar o que tanto desejava e mesmo sendo uma cirurgia para diminuir o tamanho, ela acabou sendo orientada a colocar uma prótese pequena nas mamas, para ficar com um contorno mais bonito. E aí tudo se transformou para Rosa, as dores nas costas continuaram, e apareceram novas dores, agora no abdômen. Suas dores foram sugando toda a energia e vitalidade, Rosa foi secando, o desânimo tomando conta, não tinha mais fome, não tinha mais vida.

Infelizmente, Rosa não aguentou, ela explantou e mesmo assim não se livrou das dores, elas continuavam a incomodar, os remédios não faziam efeito e Rosa desistiu. O que mais sabemos sobre essa história? São muitos os relatos gravados sobre todo o processo que ela passou, a família unida tentando encontrar meios de resolver a cascata de sintomas que apareceram no pós-cirúrgico, mas foi tudo em vão.

A nossa Rosa se foi, não aguentou as dores e decidiu se retirar do nosso jardim, a sua beleza e alegria deixaram de existir, mas a sua história continuará viva na minha vida e na de muitas mulheres que lutam todos os dias para recuperar a saúde do corpo após passarem pelo explante de silicone. Eu aqui estou somente contando um pouco da história que foi relatada sobre o que aconteceu com a Rosa, mas todos os dias eu recebo mensagens de mulheres que estão sofrendo muito e que estão buscando a cura.

Ao contrário do que muitas vezes lemos por aí, existem sim estudos sobre os malefícios que as próteses causam na saúde, mas por algum motivo as mesmas continuam sendo utilizadas ao invés de serem retiradas do mercado para um estudo criterioso. Não faltam dados que revelam que essas queixas e sintomas são reais e frequentes, basta entrar nos grupos de explante para percebermos que não é uma minoria que se queixa, e sim muitas mulheres. Muitas ainda nem imaginam que o que acontece com elas tem a ver com as próteses e continuam a peregrinação em diversas especialidades médicas em busca de respostas para as suas dores.

Quantas Rosas ainda precisarão murchar para que essa realidade mude? Quantas vozes ainda serão caladas? Estou aqui trazendo essa realidade, essa informação precisa ser divulgada, estamos falando das vidas de pessoas que têm família, sonhos, que querem viver. Eu sou uma Rosa como muitas outras, sou uma voz, e você, o que pode fazer para ser mais uma voz no nosso jardim?