Cada vez mais ouvimos histórias sobre como os pais seguem sustentando os seus filhos mesmo quando os mesmos já tem idade para prosseguirem a vida de forma independente. Em algum momento os papéis foram invertidos, os pais assumiram uma posição de passividade frente às demandas dos mesmos, como se a responsabilidade coubesse somente a eles.

Saímos de uma época em que cabia a nós ajudar em casa para aliviar a demanda de nossos pais e passamos a querer aliviar as responsabilidade de nossos filhos, para poupá-los do esforço que necessitam passar para conquistarem um lugar por si mesmos.

O fato é que quando nasce um filho este não vem uma cartilha de instruções, onde a cada comportamento que um filho apresenta, tem uma orientação de como nos comportarmos. Vamos seguindo de acordo com os  nossos modelos, outras vezes fazemos o oposto, em uma tentativa de acertar. Na verdade educar é uma tarefa muito complexa, que exige muito equilíbrio, tranquilidade e clareza dos pais.

Os erros fazem parte dessa tarefa desafiadora, tentamos sempre equilibrar para que os acertos sejam maiores que os erros, mas será que conseguimos ser tão perfeitos? Claro que não! Educar, dar amor e limites é um grande desafio, principalmente quando trazemos marcas de dor da época de infância.

Assumimos uma postura superprotetora com os nossos rebentos e muitas vezes cortamos os comportamentos de exploração, curiosidade, ousadia e iniciativa, todos elementos importantes para que sigam em frente com coragem. Em nome do amor interferimos na vida deles de forma que eles e aprendam somente receber.  Até sabem que precisam dar algo em troca, ajudar os pais, estudar para se manterem na vida adulta, valorizar o que se tem, mas não fazem. É como se estivessem engessados, paralisados em uma zona de conforto, onde só querem sentir prazer.

Hoje  é comum pais assumirem responsabilidades de seus filhos, ao invés de usufruírem esse novo momento de suas vidas. Cuidar dos netos, por exemplo, é um compromisso que pode ser altamente prazeroso e muito benéfico também, desde que não impeça os pais de terem sua vida à parte, com suas próprias atividade.

É fundamental que tenhamos consciência sobre a importância da hierarquia, os pais devem ser o principal referencial sobre valores, sobre as responsabilidades que os filhos devem assumir frente à família de origem e também sobre si mesmos. Devemos incentivá-los a buscar os próprios caminhos, atentos para não impedirmos o crescimento necessários para se tornarem adultos responsáveis pelas escolhas e atos.