Nem sempre conseguimos separar o que é do outro e o que é nosso, principalmente porque envolve sentimentos, expectativa e afeto. Nós nos relacionamos o tempo todo, seja com pessoas da nossa família, do trabalho ou desconhecidos, não há como evitar o contato, a troca, mas nem sempre estamos preparados para o que vem do outro lado.

Quando estamos em contato com uma pessoa esperamos que tudo flua com tranquilidade, porém muitas vezes somos nós  que estamos desalinhados, com uma frequência negativa. Tem dias que já acordamos de mau humor, o trabalho não rende, e um simples comentário de um colega pode ficar engasgado na nossa garganta.

Em outro momento a ação de alguém próximo pode nos chatear, chegamos a pensar que está nos desrespeitando. Pegamos essa informação e concluímos que não estamos sendo valorizados, amados e aceitos. A tensão e a ansiedade crescem, nosso dia se torna pesado. Nesse momento percebemos o quanto nos permitimos ficar afetados pela ação do outro, não conseguindo enxergar com clareza a situação.

Isso acontece porque estamos acostumados a focar no externo, colocamos sempre fora a responsabilidade do que nos acontece, quando na verdade é importante aprendermos a olhar para o nosso interno. O que nos incomodou tanto quando alguém fez um comentário? Será que realmente o outro fez com má intenção? Qual a possibilidade de não estarmos enxergando com clareza uma situação?

É muito comum tirarmos conclusões baseadas somente no nosso ego, sempre nos colocando acima de tudo. Eu sei, eu fui agredido, eu não sou valorizado, eu não sou amado. Será mesmo? O que será que existe além de nós? É preciso refletir sobre o assunto e verificar o porquê pegamos algo que não nos pertence.

Estamos todos inseridos na mesma sociedade, enfrentando problemas parecidos, somos recebidos com mais ou menos empatia. Acabamos nos voltando para o nosso umbigo esquecendo que as dificuldades estão aí, que somos falhos, limitados e muitas vezes não pensamos no que fazemos e se estamos afetando alguém.

Por isso é importante olhar com cuidado, avaliar muito bem a situação e se perguntar se realmente há motivo para se sentir ofendido. No por que é mais fácil acreditar na primeira percepção, em um impulso já classificamos a situação e julgamos o outro. Pode acreditar que na grande maioria das vezes somos nós que criamos o mal-estar, acreditamos na primeira ideia que passa em nossa mente e essa passa a ser a única verdade.

Se não é com você, descarte, relaxe e aproveite, pois na verdade há muito mais na vida do que perder tempo pegando para nós o que não é nosso.