Atualmente vemos muitas pessoas optando por ficarem sozinhas, uma conquista que é vista muitas vezes com desconforto pelos familiares e amigos. Alguns enxergam como uma possível ameaça, pois entendem que você está disponível para conquistar, expondo o seu relacionamento pessoal em risco ao manter a amizade com você. A família pode entender que algo está errado, que é preciso seguir a cartilha e formar uma família, só assim você completa todos os requisitos que a cultura prega.

O que incomoda muito as pessoas é o fato de se poder optar pelo o que se quer fazer, poder escolher sair, viajar, dormir ou até mesmo se iremos comer ou não. Ter liberdade de escolher como se quer viver é um grande desafio em uma sociedade moralista em que o preconceito grita e tenta ditar como devemos ser.

Porém, muitas vezes o preconceito também está incutido dentro daqueles que estão sozinhos, que estão impregnados de crenças tóxicas que impedem que usufruam dessa liberdade como deveriam. Quando ousam fazer escolhas que lhe dão prazer, a culpa aparece, causando incômodo. Como assim eu estou feliz? Como eu posso escolher e usar dessa opção de ir e vir sem dar satisfação a alguém? Como posso me deixar ficar largado na cama o dia todo só assistindo um filme ou lendo um livro?

O que fazer quando não conseguimos usufruir da liberdade que temos, quando não nos permitimos gozar dessa posição que abre portas para ser e estar onde queremos? Muitos continuam presos a velhos conceitos, arrumam doenças, problemas onde não existem, se incomodam com outras pessoas e transformam em obstáculos situações que na realidade não existem.

Nem sempre nos permitimos usufruir, o medo nos impede de sermos leves, de explorar as infinitas possibilidades que podemos trilhar. A sensação de liberdade pode ser tão apavorante que é mais fácil focar em algum problema, pois aí sentimos que estamos em uma zona confortável, conhecida. Algo ocupa a nossa mente e assim seguimos presos a velhos padrões sobre como sermos alguém nesse mundo.

O que pretendo levar você a pensar é que muitas vezes optamos por colocar nosso foco na dificuldade para se proteger de uma cultura que foca na dor e na dificuldade. Uma sociedade que para você se sentir incluído é preciso estar casado, com filhos e seguindo uma série de regras para fazer parte do que chamam de normal.

Se você se pegou nesse momento pensando em como tem sido fazer o que gosta, então já deu um grande passo, afinal ninguém tem o direito de dar palpite em suas escolhas, mas acima de tudo quem tem que se permitir viver essa liberdade é você mesmo.