As ruas estão quase vazias, os comércios fechados, as escolas adaptando-se ao sistema on-line e muitos de nós ficamos recolhidos dentro de nossas casas. A empolgação de muitos que viram nesse momento a oportunidade de descansar logo virou tédio. As fichas vão caindo aos poucos, confesso que dentro de minha casa isolada não fica fácil acreditar no que está acontecendo lá fora.

Nessa ciranda de medo e de orientações a serem seguidas muitas pessoas frágeis estão expostas ao pânico e à depressão. A tristeza aumenta, o desânimo toma conta, relações frágeis ficam mais balançadas, o silêncio fica ainda mais presente, podemos ouvir o som da realidade. Temos tempo de sobra para nos lembrar do que na rotina deixamos de lado, preso dentro de uma gaveta.

Somos obrigados a nos escutar, ouvir nossos pensamentos, pensar nos sonhos, o quanto todos os nossos planos tendem a ser pequenos, egoístas e muitas vezes incoerentes. Começamos a pensar no todo. É muito interessante como a tragédia une, desperta outro eu interno dentro de cada um de nós, um lado empático. Esse é um momento de muita reflexão, de muita dor e de oportunidade de crescimento.

Já que estamos todos passando por esse momento seria interessante aproveitá-lo para reorganizar a vida, olhar para o que se construiu até o momento, o quanto o trabalho que realiza lhe traz satisfação, em como seu relacionamento está sendo gratificante. E o seu comportamento com as pessoas tem sido empático, consegue sorrir, ser generoso, carinhoso? O quanto tem contribuído para um mundo melhor?

Posso dar inúmeras sugestões e, acredite, também estou inserida nesse grupo de pessoas que precisa repensar a vida, que também precisa lapidar comportamentos, afinal somos pessoas em evolução. Somos levados a enquadrar muitas coisas, somos formatados pela sociedade, mas está aí uma oportunidade de verificarmos em que nível estamos e o que precisa ser feito para sermos leves, espontâneos, amigos, presentes, mais coerentes com o que desejamos, com o que sentimos dentro do coração.

Nesse pacote da crise que estamos vivendo haverá perdas, mas também teremos ganhos. Saíremos mais fortes, mais presentes, olhando para o que realmente precisamos para sermos e fazermos o outro feliz, muito mais do que sobreviventes, ficaremos mais resilientes. Vamos aos poucos entrando em contato com a nossa essência, aprendendo valores de fraternidade, de amor e cuidado ao próximo.

Toda a humanidade está recebendo o mesmo convite, de olhar para dentro e identificar as mudanças que são importantes para a evolução do mundo, para frearmos os movimentos e ações que levarão ao caos. E nessa loucura do isolamento que estamos sendo obrigados a acatar, esse recolhimento, poderemos então entender que era momento de parar.